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01 novembro 2010

Das estórias e tradições do meu Reino

"Diz à mãe que pode vir buscar os Santos!" Todos os anos por esta época ela me pedia para dar o recado à minha mãe. Mais tarde comecei a ir buscá-los eu, e trazia-os divididos em saquinhos de plástico bem fechados. Hoje já não os faz. Os braços já não têm a força necessária para mexer aquela mistura que se adensa ao lume. Essa força que fazia "Santos" para dar e vender. Sim, vendia-os na sua banca na praça, especialmente àqueles clientes habituais que encomendavam de um ano para o outro. E assim começava a azáfama. Levava os figos e as amêndoas das bancas vizinhas da praça. A caminho de casa passava na mercearia para comprar o chocolate, o açúcar, a canela e a erva-doce. Carregava tudo na sua cesta de empreita, aquela que sempre a acompanhava nos dias de trabalho no mercado. Nestes dias eu saía da escola a correr, contando os segundos para meter a mão na massa. E ainda chegava a tempo de a ver montar a máquina de moer antiga na mesa de madeira. Moía as amêndoas. Moía os figos. Rodando sempre aquela manivela já enferrujada com a mesma destreza. De seguida passava para o fogão. E era aí que a magia acontecia. Primeiro o odor quente a chocolate, canela e erva-doce. Depois o aroma da amêndoa e do figo a mergulharem naquela calda. Em bicos de pés eu colocava-me junto a ela e tentava espreitar para dentro do tacho. Ela afastava-me com a sua preocupação de avó: "Sai daqui, olha que te podes queimar!" E lá voltava eu para a cadeira de atabua à espera que o tacho chegasse à mesa. Esta era a parte que eu mais gostava. Tornava-me impaciente enquanto a mistura arrefecia. E depois, bem, depois era um festim! Arregaçava as mangas, afundava as mãos na massa e moldava as pequenas bolas à medida que a observava no mesmo ritual. Por fim rebolava-as pelo açúcar e embrulhava-as delicadamente nos quadrados coloridos de papel de prata.

Entretanto a minha avó preparava os figos cheios que levava ao forno da vizinha para torrar. Na noite anterior já tinha franjado os pequenos pedaços de papel de seda de cores. Já frios enrolávamos um por um no papel, tal e qual como se fossem rebuçados. O fim da tarde nem se fazia sentir. Eu voltava para casa dos meus pais. A minha avó, resistia ao cansaço, arrumava a cozinha e preparava tudo para regressar ao mercado no dia seguinte.

Os bombons de figo, os figos cheios e as
estrelas de figo (que não publico porque não tive disponibilidade para as fazer) são confeccionados um pouco por todo o Algarve habitualmente por altura do Dia de Todos os Santos, dia 1 de Novembro, daí serem muitas vezes apelidados de "Santos". Tanto a minha avó paterna como a materna mantiveram viva por muitos anos esta tradição, oferecendo-os aos filhos netos neste dia. Mas a idade não perdoa e agora é a minha vez de lhes retribuir os Santos.
Sofia, do meu Reino dos Algarves, que é também teu, envio-te esta estória recordada com saudade. Espero que pelo menos te chegue aí o aroma destas iguarias que as palavras transportam. Longos anos ao teu Reino!

Bombons de figo
Ingredientes: 250g de figos secos, 250g de amêndoas (usei com pele), 200g de açúcar, 30g de chocolate em pó, 1 1/2 colher de café de canela, 1 colher de chá de erva-doce, 1,5 dl de água, raspa de meio limão, açúcar para finalizar

(T): Moa os figos e as amêndoas separadamente e reserve. Leve ao lume a água, o açúcar, a canela, a raspa de limão, a erva-doce e o chocolate até formar ponto de estrada. Junte a amêndoa moída e o figo, mexendo sempre e deixando ferver durante 5 minutos. À parte, polvilhe um tabuleiro com açúcar. Deite o preparado e deixe arrefecer. Depois de frio molde pequenas bolas do tamanho de uma noz e passe-as pelo açúcar. Recorte quadrados de papel de alumínio (ou papel de prata de cores) e embrulhe os bombons um a um.


Figos cheios

Ingredientes: 500g de figos secos, 125g de amêndoa torrada moída, 60g de açúcar, 12g de chocolate em pó, 1/2 colher de café de erva-doce, 1 colher de café de canela, raspa de limão, amêndoas torradas inteiras (com pele) q.b.

(T): Misture bem a amêndoa, o açúcar, o chocolate, a canela, a erva-doce e a raspa de limão. Se os figos estiverem espalmados puxe-lhes o pé de modo a que voltem à sua forma original. Com uma faca afiada faça-lhes um golpe vertical, do pé até ao olho. Encha os figos com esta mistura. Termine com uma amêndoa inteira e una a abertura apertando. Disponha-os num tabuleiro e leve-os ao forno a torrar. Deixe arrefecer e embrulhe-os em papel de seda ou papel cristal franjado.

Notas:- Na receita dos bombons de figo pode usar amêndoas e figos torrados;
- Pode optar por não embrulhar os figos cheios (como eu fiz);
- Tanto os bombons como os figos cheios aguentam bastante tempo guardados dentro de caixas herméticas;
- Receitas adaptadas do livro Cozinha Regional do Algarve.

01 maio 2010

2 petiscos para o dia 1

Sou uma moça de tradições. Gosto de cumprir rituais, comer o que a ocasião manda, assistir a procissões e romarias.. Faço-o com gosto, porque me dá prazer relembrar e recriar costumes e tradições antigas que me foram passadas por gerações anteriores.

O 1.º de Maio é sempre recordado como o dia em que íamos de manhã cedo para a serra algarvia, de farnel aviado para um dia muito bem passado. Os caracóis e as favas, que não podem faltar neste dia, eram sempre preparados lá e o poejo que aromatizava as favas era apanhado nas ribeiras que por ali correm. Carne grelhada e sardinha assada em cima de fatias de pão algarvio, um tinto da produção de um amigo, caracóis e favas sapatadas. Seguiam-se os doces, principalmente bolos caseiros e alguns doces de colher que resistiam bem ao tempo mais quente. No final o passeio para ajudar a digerir até nova petiscada mais à tarde.

Este ano, com a princesa a recuperar, optámos por ficar em casa. Mas o tempo quente convidou-nos ao churrasco lá fora e os caracóis e as favinhas já aguardam pelo lanche!


Caracóis com batatinhas
Ingredientes: caracóis, batatinhas, paus de orégão, uma cabeça de alhos, 1 malagueta, 1 colher de sobremesa de sementes de coentros, água e sal q.b.

(T): Lave bem os caracóis e coloque-os dentro de um tacho alto com água com os paus de orégãos, as batatinhas com pele, os dentes de alho pelados, as sementes de coentros e a malagueta. Leve a lume brando, com o tacho tapado. Quando estiver a ferver deite o sal e deixe cozinhar em lume brando com o tacho tapado até as batatinhas estarem cozidas.


Favas sapatadas
Ingredientes: 500gr de favas descascadas, 1 raminho de poejo, 1 folha de hortelã, flor de sal, água q.b.


(T): Coloque as favas na panela de pressão (ou num tacho fundo) e coloque água até ao nível das favas. Salpique com a os poejos e a folha de hortelã picada. Tape a panela e deixe cozinhar durante cerca de 15 minutos. Retire o vapor, polvilhe com flor de sal triturada e sirva.


Bom primeiro de Maio!

P.S. - Pipoka e gasparzinha esta é para vocês. Imaginem o sabor das batatinhas... : )

21 fevereiro 2010

Como um simples bife de atum pode contar uma história

Pode não ser um peixe que se coma todos os dias mas todos conhecem o atum. Podem ainda não ter provado o espinhaço, as peles ou a barriga mas de certeza que, pelo menos, já o provaram em conserva. Mas provavelmente desconhecem que a pesca do atum foi uma das fontes de riqueza que mais contribuiu para a prosperidade económica da cidade de Tavira e da região do Algarve, dando trabalho e pão a inúmeras famílias de pescadores.

Proponho que recuemos um pouco no tempo e façamos uma curta viagem à história da pesca do atum e do Arraial Ferreira Neto.

Chamavam-lhe a tourada do mar. Um espectáculo de força e movimento, envolvido com o baloiçar dos barcos, a rudez do atum e a algazarra dos homens que dedicavam toda a sua força e agilidade a esta arte, repetindo gestos que culminavam no copejo, o momento em que o atum apanhado nas redes era arpoado.

A armação medo das cascas existia desde 1881 em Cabanas de Tavira mas viria a instalar-se definitivamente em Tavira em Abril de 1945 com o nome de Arraial Ferreira Neto.

O Arraial surge assim como uma “aldeia” de gentes do mar, de linhas rústico-portuguesas, onde habitavam entre 400 a 500 pessoas. Local de migração sazonal, entre Março e Setembro, era ali que durante a faina pescadores e famílias viviam e cuidavam nas oficinas dos materiais e apetrechos essências a esta pesca, sendo-lhes fornecido tudo o que precisavam para a vida quotidiana

Para além das habitações o Arraial Ferreira Neto compreendia ainda armazéns de recolha e restauro de material, escritórios, depósitos de viveres, padaria, escola primária, capela, posto médico e barbearia.

A armação (grande conjunto de redes que estavam verticalmente suspensas na água, da superfície ao fundo e que formavam uma barreira) era uma verdadeira obra de engenharia náutica que se montava longe da costa e envolvia cerca de 23 embarcações, quilómetros de redes e milhares de bóias e era composta por corpo da armação, guia e rabeira.

A barreira era assim formada e orientava-se em relação à linha da costa e à marcha do atum de modo a detê-lo e a encaminhá-lo para um compartimento que se situava a meio da estrutura onde viria a ser capturado.

Aos poucos o peixe ia sendo filtrado pela larga rede da rabeira até chegar à fina do copo e era aqui que o atum chegava à armadilha final e se dava o momento do copejo, a fase mais fascinante de toda a faina. A água agitava-se, as barcas de testa fechavam as portas e a rede era levantada devagar apertando o atum. Os homens armados de um gancho comprido, o bicheiro, espetavam o peixe e puxavam-no para os barcos.

Terminada a faina a companha regressava ao Arraial. No mastro da torre de vigia içavam-se as bandeiras que indicavam, em centos, as quantidades aproximadas do peixe capturado, conforme o vigia ia avistando os barcos carregados de peixe. E daqui o peixe seguia para a lota onde chegou a ser vendido a quatro escudos o quilo.

No ano de 1881 as armações do Barril e Medo das Cascas pescaram respectivamente 46.825 e 40.729 atuns, de direito e de revés.

Mas um dia o peixe fugiu da costa e as armações foram desaparecendo. Em 1972 montou-se pela última vez a armação, cessando nesse mesmo ano.
O Arraial Ferreira Neto fechou as suas portas e assim permaneceu durante anos, encerrando em si vestígios e histórias de uma arte que se perdeu no tempo e que deixou marcas na história económica e social do Algarve.


E foi apenas no ano 2000 que o Arraial Ferreira Neto ganhou nova vida. A sua estrutura deu vida ao actual Hotel Vila Galé Albacora que recuperou a sua estrutura e traça original e se integrou harmoniosamente com a sua envolvente natural, em pleno Parque Natural da Ria Formosa.

Dos armazéns recriaram-se quartos, a escola primária deu corpo a um clube de crianças, a capela foi restaurada e preparada para receber eventos e a padaria transformou-se em museu. É aqui que vai poder ver de perto uma maquete que ilustra na perfeição a grande obra de engenharia que era a armação do atum. De igual forma poderá observar documentos centenários da Companhia de Pescarias do Algarve e ainda um vídeo que retrata todo o processo de captura dos tunídeos.
Aqui nada foi deixado ao acaso e até a gastronomia se recria em pratos típicos algarvios, muitos deles tendo o atum como base.

Para quem não conhece aqui fica a sugestão para um fim-de-semana diferente, em contacto com a natureza pura e a história viva!

E como este post coincide com a reabertura do Hotel Vila Galé Albacora - Arraial Ferreira Neto, o Figo Lampo associou-se ao evento e vai ser sortear entre os comentadores deste post um fim-de-semana para duas pessoas neste hotel. O passatempo decorre até ao final do dia 23 deste mês, sendo considerados todos os comentários deixados até essa data (um comentário por pessoa).

E agora, sem mais conversas, deixo-vos uma receita que mesmo sendo muito simples, deixa-me sempre a boa lembrança da tourada do mar..


Bifes de atum de cebolada

Ingredientes (para e pessoas): 2 bifes de atum fresco, 2 cebolas, 3 dentes de alho, 2 folhas de louro, salsa, azeite e sal e pimenta preta q.b.

(T): Tempere os bifes com sal, pimenta, louro e os dentes de alho cortados em rodelas e deixe marinar durante algumas horas.
Escorra-os depois e leve-os a fritar no azeite, de ambos os lados. Retire-os para um prato e junte ao azeite a cebola em rodelas finas. Quando a cebola estiver translúcida, introduza os bifes de atum de novo deixe cozinhar mais uns minutos de um lado e do outro. Rectifique os temperos e polvilhe com salsa picada finamente. Sirva de imediato com batata cozida.



Notas:
- O vencedor do passatempo será anunciado no próximo post do Figo Lampo;

- O prémio é uma cortesia do Hotel Vila Galé Albacora;
- Foto da pesca do atum do arquivo do Hotel.

15 dezembro 2009

Empanadilhas de batata doce

Se na nossa ceia de Natal não falta o bacalhau na mesa, as empanadilhas (ou azevias mas cá são conhecidas por empanadilhas) não lhe ficam atrás. Lembro-me perfeitamente dos serões com a minha mãe a amassar, esticar massa, colocar recheio, fechar, cortar, fritar e passar por açúcar e canela.. Era uma trabalheira e tanto. A minha mãe arregaçava as mangas e amassava a massa à mão. O recheio era preparado de véspera. Em poucas horas havia pratos e travessas de empanadilhas quentinhas. Umas eram preparadas para oferecer a familiares e amigos, outras aguardavam pela hora de subirem à mesa de Natal. Era e continua a ser o petisco doce preferido de todos.

A produção tem diminuído de ano para ano porque a força de braços já não é a mesma e eu confesso que nunca me atrevi a fazê-las sozinha principalmente pelo facto de imaginar não conseguir alguma vez chegar aquele sabor das empanadilhas da mãe. Mas este ano contrariei o receio e dei corda à mfp e à Bimby que foram as minhas aliadas na primeira fornada. Sim porque com a velocidade que desapareceram e a facilidade com que foram feitas, muitas mais se vão seguir e quem sabe se com o tempo não serão elas as descendentes das empanadilhas da mãe. : D

Querem provar? Aqui fica a receita.

 
Empanadilhas de batata doce

Ingredientes da massa (para cerca de 30 unidades):
500gr de farinha de trigo, sumo de 2 laranjas, 70gr de banha derretida, 70g de manteiga derretida, 1 cálice mal cheio de aguardente, uma pitada de sal, água tépida q.b.

Ingredientes do recheio: 700gr de polme de batata doce*
, 350 g de açúcar, 50gr de água, 2 colheres de sopa rasas de canela em pó, 1 colher de sopa mal cheia de chocolate em pó, casca de limão

(mfp):
Peneire a farinha para a cuba da máquina, coloque os restantes ingredientes, seleccione o programa amassar e deixe-o seguir até ao fim (a massa deve descansar algum tempo depois de amassada).

(B): Coloque no copo limpo as gorduras e programe 3min/70º/vel 1. Junte o sumo das laranjas, a aguardente, o sal e a farinha e amasse 2min/vel espiga. Veja a consistência da massa. Se agarrar ao copo e aos dedos junte um pouco mais de farinha e amasse mais 1min. Se não estiver bem agregada junte um pouquinho de água tépida e amasse mais 1 min. Retire para um recipiente e deixe-a descansar.

Prepare entretanto o recheio: Coloque a água e o açúcar no copo e programe 10 min, temp varoma, vel 1 para fazer a calda de açúcar. Junte o polme de batata doce
*
, a casca de limão, a canela e o chocolate e programe 5 minutos temperatura 100º, velocidade colher.
Retire a casca, transfira para um recipiente e deixe arrefecer.
*
Para o polme de batata doce: Monte a varoma e disponha as batatas doces descascadas e cortadas em pedaços no tabuleiro. Coloque água no copo até meio e programe 20min, temp varoma, vel 3 (se não estiverem bem cozidas programe mais uns minutos).
Coloque as batatas cozidas no copo e reduza-as a puré 1 min na vel 8-9.

Retire pequenas porções de massa e estenda-as com o rolo da massa, com a espessura mais fina possível (tenha o cuidado de deixar a restante massa tapada para não secar). Coloque uma colher de sobremesa cheia de recheio e feche a empanadilha com a massa (como os rissóis). Calque bem os rebordos para evitar abrir durante a fritura. Recorte-a com ajuda de uma carretilha.

Frite-as em óleo quente, escorra-as sobre papel absorvente e passe-as depois por uma mistura de açúcar e canela.

 
 
A mãe ainda não as provou, vamos ver se as aprova...


Notas:
- Para fazer o dobro da receita basta duplicar as quantidades e seguir o modo de confecção;
- A massa deve ficar bem esticada e fina para ficar estaladiça na fritura;
- Pode optar por rechear também com doce de grão, chila, abóbora ou amêndoa. Cá no Algarve as mais tradicionais e habituais são as de batata doce.

Dicas:
- Se preferir em vez de as passar pelo açúcar e canela pode fazer uma calda de mel e envolvê-las;
- Podem ser congeladas antes de fritar, dispostas num tabuleiro sem as sobrepor. Assim pode fazer com antecedência e fritá-las no dia em que vão ser consumidas;
- O recheio tmbém pode ser feito com antecedência e congelado.

23 junho 2009

"São João, São João, São João, dá cá um balão para eu brincar"

Santo António a 13, São João a 24 e São Pedro a 29.

Cantigas populares e bailaricos,
quadras em manjericos.
Ruas engalanadas com arcos e balões,
grupos musicais a animar os serões.

Mastros forrados a murta e rosmaninho,
às marchas populares abrem caminho.
Descem pela avenida trajadas de feição
cantam e acenam com o arco e o balão.
Gente na rua a comer e a bailar
E a sardinha sempre a assar.
Bebe-se sangria a jarro
come-se a sardinha no pão.
E volta-se com outro jarro na mão.

O cheiro a rosmaninho queimado já paira no ar
e as meninas estão prontas para a fogueira saltar.

Os conjuntos populares ditam o passo do bailarico.
É tempo de bailar até cansar. Roda e torna a rodar.
A noite cheira a sardinha e a rosmaninho
O movimento começa a abrandar.
Nas mesas uma última rodada de sangria e a bela bifana no pão a rematar.


Sangria tinta

Ingredientes: 2 laranjas grande, 1 maçã grande, 1 limão, 1 pêssego maduro, 2 paus de canela, 5 colheres de sopa de açúcar amarelo, 1lt de vinho tinto, 1 cálice de licor beirão, 1 cálice de martini bianco, 1 garrafa de bebida de laranja gasosa (tipo fanta)

(T): Corte a maçã, as laranjas e os pêssegos em pequenos quartos. Regue com o sumo de limão, misture o açúcar e os paus de canela e envolva bem. Deixe a macerar durante cerca de 30/40 minutos.
Misture entretanto o vinho com as restantes bebidas alcoólicas e o sumo gasoso. Junte a mistura de frutas macerada e mexa bem. Sirva com pedras de gelo na hora.

São assim as comemorações dos Santos populares por cá. Muita gente na rua, muita animação e claro, muita sardinha no pão. Amanhã já há festa a valer e eu lá estarei.

Entretanto deixo este post à simpática Ana Kadja para sua "Quadrilha Gastronómica na Blogosfera" sobre as tradições gastronómicas das festas juninas por todo o mundo. Boa continuação de festas juninas por aí!

Notas:
- As frutas usadas devem ser a gosto pessoal, podendo acrescentar ou subtrair algumas;
- Se gostar de uma sangria mais forte não coloque todo o conteúdo da garrafa de sumo;
- A tradicional desta quadra festiva é a tinta mas tanto a branca como a de espumante são igualmente muito boas!

02 maio 2009

Caracóis como manda a tradição

O dia de hoje, 1.º de Maio, Dia do Trabalhador, celebra-se de modo diferente um pouco por todo o país. A Sul, pelo menos na zona do Sotavento, cumprem-se várias tradições ancestrais que o tempo ainda não deixou morrer. Os Maios, bonecos de pano feitos artesanalmente, são exemplo disso. Retratam cenas do dia-a-dia e são colocados à porta de casa, sendo muitas vezes acompanhados de versos dedicados à critica social e política.
Créditos fotográficos: Algarve Digital

O 1.º de Maio é comemorado também em piqueniques familiares junto de ribeiras nos montes. Come-se um pouco de tudo mas a tradição cumpre-se com os caracóis. Muitos apanham-nos em meados de Abril, deixam-nos a "limpar a tripa" dentro de uma rede com umas rodelas de batata e neste dia são muito bem limpos e lavados e depois cozinhados ao gosto de cada um. Os de cá de casa são sempre feitos pela minha mãe e para mim são os melhores.

Caracóis


Ingredientes: caracóis, paus de orégão, uma cabeça de alhos, 1 caldo de carne, água e sal q.b.


(T): Lava-se bem os caracóis e colocam-se dentro de um tacho alto com água e os paus de orégão. Leva-se a lume brando, com o tacho tapado. Aproximadamente 15 minutos depois coloca-se o sal, os dentes de alho (com pele) e o caldo de carne. Deixa-se cozinhar por cerca de 20 minutos.



Apesar de não ser comum comer caracóis em muitos locais, a verdade é que cá é um petisco e tanto e nesta altura perde-se a conta aos litros de caracóis que se vendem um pouco por todo o lado.
Bom fim-de-semana!