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06 agosto 2008

Presunto do mar

Ontem fui jantar com uns amigos a uma marisqueira cá do sítio que frequento regularmente. O prato é sempre o mesmo: mariscada. Mas ontem como havia barriga de atum, coisa que já não comia há imenso tempo, pedi sem hesitar. Grelhadinha e acompanhada de batatinha cozida e salada. E que saudades que tinha de uma barriga de atum grelhada e a transpirar a sua própria gordura! É realmente fantástico e aconselho vivamente ainda que nem sempre seja fácil encontrá-la à venda. Não sei se sabem mas por cá o atum é rei. Em tempo tivémos grandes armações da pesca de atum. Nessa altura abundava e era o sustento de familias que se dedicavam a esta arte. Em Tavira ainda se podem encontrar vestígios da pesca do atum no Hotel Vila Galé Albacora, que era por si só uma comunidade piscatória onde viviam pescadores e suas familias e que depois de votada ao abandono, após a queda desta arte, foi transformada em hotel. Na Praia do Barril, o cemitério de âncoras também é testemunho da pesca do atum.

Hoje encontramo-lo nas bancadas das praças e mercados e em casas de venda exclusiva de produtos tunídeos bastante apreciados por cá em refeições e petiscos.
A muxama é um dos petiscos favoritos. E é a este naco de atum seco que na gíria popular chamamos de presunto do mar. A muxama são pedaços de atum, normalmente sob a forma rectangular, cortados do interior do peixe, junto à espinha que posteriormente são salgados e secos ao natural.

Come-se preferencialmente cortado em fatias muito fininhas e é um excelente petisco por si só ou com queijo fresco ou ainda com azeite, alhos e salsa! Deixo-vos a foto.