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01 novembro 2010

Das estórias e tradições do meu Reino

"Diz à mãe que pode vir buscar os Santos!" Todos os anos por esta época ela me pedia para dar o recado à minha mãe. Mais tarde comecei a ir buscá-los eu, e trazia-os divididos em saquinhos de plástico bem fechados. Hoje já não os faz. Os braços já não têm a força necessária para mexer aquela mistura que se adensa ao lume. Essa força que fazia "Santos" para dar e vender. Sim, vendia-os na sua banca na praça, especialmente àqueles clientes habituais que encomendavam de um ano para o outro. E assim começava a azáfama. Levava os figos e as amêndoas das bancas vizinhas da praça. A caminho de casa passava na mercearia para comprar o chocolate, o açúcar, a canela e a erva-doce. Carregava tudo na sua cesta de empreita, aquela que sempre a acompanhava nos dias de trabalho no mercado. Nestes dias eu saía da escola a correr, contando os segundos para meter a mão na massa. E ainda chegava a tempo de a ver montar a máquina de moer antiga na mesa de madeira. Moía as amêndoas. Moía os figos. Rodando sempre aquela manivela já enferrujada com a mesma destreza. De seguida passava para o fogão. E era aí que a magia acontecia. Primeiro o odor quente a chocolate, canela e erva-doce. Depois o aroma da amêndoa e do figo a mergulharem naquela calda. Em bicos de pés eu colocava-me junto a ela e tentava espreitar para dentro do tacho. Ela afastava-me com a sua preocupação de avó: "Sai daqui, olha que te podes queimar!" E lá voltava eu para a cadeira de atabua à espera que o tacho chegasse à mesa. Esta era a parte que eu mais gostava. Tornava-me impaciente enquanto a mistura arrefecia. E depois, bem, depois era um festim! Arregaçava as mangas, afundava as mãos na massa e moldava as pequenas bolas à medida que a observava no mesmo ritual. Por fim rebolava-as pelo açúcar e embrulhava-as delicadamente nos quadrados coloridos de papel de prata.

Entretanto a minha avó preparava os figos cheios que levava ao forno da vizinha para torrar. Na noite anterior já tinha franjado os pequenos pedaços de papel de seda de cores. Já frios enrolávamos um por um no papel, tal e qual como se fossem rebuçados. O fim da tarde nem se fazia sentir. Eu voltava para casa dos meus pais. A minha avó, resistia ao cansaço, arrumava a cozinha e preparava tudo para regressar ao mercado no dia seguinte.

Os bombons de figo, os figos cheios e as
estrelas de figo (que não publico porque não tive disponibilidade para as fazer) são confeccionados um pouco por todo o Algarve habitualmente por altura do Dia de Todos os Santos, dia 1 de Novembro, daí serem muitas vezes apelidados de "Santos". Tanto a minha avó paterna como a materna mantiveram viva por muitos anos esta tradição, oferecendo-os aos filhos netos neste dia. Mas a idade não perdoa e agora é a minha vez de lhes retribuir os Santos.
Sofia, do meu Reino dos Algarves, que é também teu, envio-te esta estória recordada com saudade. Espero que pelo menos te chegue aí o aroma destas iguarias que as palavras transportam. Longos anos ao teu Reino!

Bombons de figo
Ingredientes: 250g de figos secos, 250g de amêndoas (usei com pele), 200g de açúcar, 30g de chocolate em pó, 1 1/2 colher de café de canela, 1 colher de chá de erva-doce, 1,5 dl de água, raspa de meio limão, açúcar para finalizar

(T): Moa os figos e as amêndoas separadamente e reserve. Leve ao lume a água, o açúcar, a canela, a raspa de limão, a erva-doce e o chocolate até formar ponto de estrada. Junte a amêndoa moída e o figo, mexendo sempre e deixando ferver durante 5 minutos. À parte, polvilhe um tabuleiro com açúcar. Deite o preparado e deixe arrefecer. Depois de frio molde pequenas bolas do tamanho de uma noz e passe-as pelo açúcar. Recorte quadrados de papel de alumínio (ou papel de prata de cores) e embrulhe os bombons um a um.


Figos cheios

Ingredientes: 500g de figos secos, 125g de amêndoa torrada moída, 60g de açúcar, 12g de chocolate em pó, 1/2 colher de café de erva-doce, 1 colher de café de canela, raspa de limão, amêndoas torradas inteiras (com pele) q.b.

(T): Misture bem a amêndoa, o açúcar, o chocolate, a canela, a erva-doce e a raspa de limão. Se os figos estiverem espalmados puxe-lhes o pé de modo a que voltem à sua forma original. Com uma faca afiada faça-lhes um golpe vertical, do pé até ao olho. Encha os figos com esta mistura. Termine com uma amêndoa inteira e una a abertura apertando. Disponha-os num tabuleiro e leve-os ao forno a torrar. Deixe arrefecer e embrulhe-os em papel de seda ou papel cristal franjado.

Notas:- Na receita dos bombons de figo pode usar amêndoas e figos torrados;
- Pode optar por não embrulhar os figos cheios (como eu fiz);
- Tanto os bombons como os figos cheios aguentam bastante tempo guardados dentro de caixas herméticas;
- Receitas adaptadas do livro Cozinha Regional do Algarve.

16 outubro 2010

Pão de sementes de abóbora e noz moscada

Nesta altura de recessão, onde a palavra crise se senta à mesa diariamente com muitas famílias, lembremo-nos de todos os que mundo fora anseiam por um pouco de pão. Alheemo-nos por uns instantes da agrura destes tempos e pensemos na amargura de quem sobrevive a “pão e água”. Hoje, Dia Mundial da Alimentação e participo com este pão no 5.º Dia mundial do Pão.

Pão de sementes de abóbora e noz moscada
Ingredientes: 300g de farinha T65, 220g de farinha integral, 310ml de água tíbia, 2 colheres chá de sal, 1 colher sopa de mel, 1 colher sopa de azeite, 70g de iogurte natural, 2 colheres chá fermento seco, 50g de sementes de abóbora, 1/2 colher chá de noz moscada em pó

(mfp): Coloque a água, o sal, o mel, o azeite, o iogurte, as farinhas e o fermento na cuba da máquina. Seleccione o programa para pão integral. Ao sinal sonoro junte as sementes e a noz moscada. No final do programa desenforme e deixe arrefecer sob uma grelha.



Notas:- Se preferir cozer o pão no forno seleccione o programa “amassar” e após a levedação coloque a massa numa forma própria ou de bolo inglês levemente untada com azeite. Leve ao forno a 190º durante cerca de 30 minutos.
- Receita ligeiramente adaptada do livro da colecção 100% sabor Larousse, o "aprender a fazer pão - especial, máquina de pão".

10 julho 2010

Estão todos convidados!

Imagino-a perfeita e muito bem passada. Uma tarde solarenga e farta em conversas animadas e iguarias caseiras. Preparo-a com alguma excitação e ansiedade. Afinal não é todos os dias que se recebem amigos assim.

Já coloquei ao sol a toalha de renda que a minha avó bordou quando eu era menina, esperando um dia vê-la a adornar a mesa da sala de jantar. Fui buscá-la à gaveta. Acho que acabamos por sempre guardar estas preciosidades com receio que se estraguem e assim acabamos, também, por lhes traçar o destino, enfiando-as numa gaveta, perfeitamente acomodadas junto aos naperons de croché, aos lençóis debruados a bordado inglês e até à colcha que já vem do tempo da bisavó. E por ali vão ficando, amarelecidas do tempo, dobrados em histórias de gerações..

A mesa põe-se e compõe-se. Os famosos plátanos, aos quais rogo pragas o ano inteiro, protegem-na dos quentes raios de sol que tão bem caracterizam este Algarve. Do canteiro apanho uns malmequeres e umas rosas que componho num pote de vidro improvisado de jarra. Os pratos que habitualmente servem os petiscos de verão estão já alinhados na vertical junto aos copos de cores vivas. Os talheres repousam lado a lado com os guardanapos de papel estampados de bolinhas de cores que comprei especialmente para o dia.
Olho em volta para me certificar de que não falta nada. No relógio faltam 30 minutos para a hora marcada.

Subo ao quarto, ajeito o cabelo, que por esta altura anda sempre apanhado desajeitadamente num elástico, e volto a descer. Ponho uma música ambiente e sento-me à espera dos convidados..



O 2.º aniversário do figo lampo é já no dia 16 de Julho. Gostava muito de o celebrar com todos vós, ainda que virtualmente. Assim, convido-vos a juntarem-se à comemoração preparando algo para esta festa. Imaginem-na como se fosse real e cozinhem algo doce ou salgado, quente ou frio, para beber ou comer.

A comemoração começa hoje, dia 10 de Julho, e estende-se até ao dia 16, dia do aniversário. No dia 18 colocarei aqui todas as receitas publicadas nos blogues, na página do figo lampo do Facebook, e também as receitas enviadas por e-mail por leitores que não têm blogue, para que todos possam, imaginariamente, degustá-las.

E porque festa pede presente, o figo lampo tem um presente para oferecer. A todos será atribuído um número consoante a ordem de entrada e no final será sorteado um pequeno presente de aniversário, no qual simpaticamente colaboraram a Pano pra Mangas (http://panopramangas.blogspot.com/) e a Quinta das Atalaias (http://www.quintadasatalaias.com/).

O presente e o presenteado serão anunciados aqui no dia 19 de Julho.


Nota:
- À medida que forem publicando as receitas, notifiquem-me por e-mail
flampo@gmail.com ou deixando um comentário neste post.

22 março 2010

Caril de lulas

O bom tempo está finalmente de volta! Com ele regressa a boa disposição, o ânimo e a imaginação! Sim, o Delícias e Talentos voltou à carga com um novo desafio! O alfabeto culinário promete pôr a blogosfera culinária a cozinhar o alfabeto e aposto que, a partir de agora, ninguém vai olhar para as 26 letrinhas da mesma forma. : ) Siga o desfile de boas receitas a começar já com a letra C.

Eu aproveito a receita de hoje, que conta com 5 C's nos ingredientes (ou 4 e meio já que o coco tem o leite antes) - caril, cebola, camarão, coentros e coco (leite de) -, e lanço-a no desafio!

Boa semana!

Caril de lulas

Ingredientes (para 4 pessoas): 4 lulas ou potas grandes, 1 Cebola média, 1 dente de alho, 1 tomate médio bem maduro (sem pele e sementes), 1 colher de chá cheia de Caril, 1 pitada de gengibre em pó, 100gr de miolo de Camarão cru, 1 iogurte natural, 1dl de leite de Coco, 1 molhinho de Coentros, azeite, sal e pimenta preta moída q.b.

(T): Arranje as lulas e guarde os tentáculos para outra ocasião (lulas recheadas, por exemplo). Corte o corpo das lulas em argolas com cerca de 1cm de espessura. Num tacho fundo leve ao lume o azeite, a cebola e o alho picados finamente. Deixe alourar e junte o tomate também picado. Cozinhe por uns minutos. Junte as argolas de lulas e o miolo de camarão. Polvilhe com o caril, o gengibre e tempere com o sal e a pimenta a gosto. Envolva bem, tape o tacho e deixe cozinhar até as lulas estarem macias. Numa tacinha misture o iogurte com o leite de coco e deite-os por cima das lulas. Rectifique os temperos e deixe apurar uns minutos. Polvilhe com os coentros finamente picados e sirva de imediato.

Notas:
- Pode confecionar estas receita com argolas de lulas congeladas que se encontram à venda nos supermercados;
- Pode substituir o iogurte por natas.

13 dezembro 2009

Dom Rodrigo_dia azul | blue day

Se há cor que simboliza o Algarve é sem dúvida o azul. Azul do céu limpo, das águas quentes, das molduras de portas e janelas e das platibandas do casario típico, do traje típico da mulher algarvia, dos painéis de azulejos nas igrejas, das peças de olaria típicas, dos cascos das traineiras..
Azul é também uma das cores das folhas de estanho que envolvem um dos mais conceituados doces típicos algarvios, o Dom Rodrigo.

E é a ele que cabem as honras de fechar este desafio do Dia da Cor. Pensei publicar os Dom Rodrigos no dia amarelo mas, porque é exactamente o colorido dos papéis de estanho que tanto os caracterizam, optei por deixá-los para este dia.

Um obrigado especial à Mary que, através deste desafio, me estimulou a revisitar e dar a conhecer a minha querida região em pratos típicos.
Que venha o próximo!
 

Dom Rodrigo

Ingredientes (para 6 unidades): 250gr de fios de ovos, 50gr de miolo de amêndoa ralado, 250gr de açúcar, meio dl de água, 4 gemas, canela em pó q.b.

(T): Num tacho coloque 200gr de açúcar coberto de água e leve ao lume até formar ponto de pérola.
Retire do lume e misture a amêndoa. Deixe amornar, junte as gemas e leve novamente ao lume, mexendo até engrossar. Polvilhe com um pouco de canela.
Com o restante açúcar e água faça uma calda em ponto de fio. Coloque-a numa frigideira e leve ao lume. Quando ferver, deite por cima os fios de ovos e sobre estes a mistura feita anteriormente com o açúcar, amêndoa e as gemas.
Com a ajuda de duas espátulas, enrolam-se os fios de ovos em torno do recheio, envolvendo-o completamente.
Deixe alourar e retire da frigideira.
Corte 6 quadrados de folha de estanho prateado ou colorido.
Divida o preparado em quantidades iguais pelos 6 quadrados de estanho, una as quatro pontas de cada quadrado, enrole-as e dobre ligeiramente as extremidades laterais para dentro.
 

Notas:- Receita retirada do site da Câmara Municipal de Tavira.

25 novembro 2009

Quadradinhos de canela

Regressei hoje ao trabalho depois de 2 dias e meio enfiada literalmente em casa com a pequena adoentada. Hoje troquei com o pai e ficou ele com ela em casa. Felizmente está melhor mas ficará estes dias em casa por precaução.

As maleitas não abalam de todo a vivacidade e traquinice que caracterizam bem estes dois anos e nem com febre a formiga sossega. Chego ao fim do dia cansada. Está constantemente a chamar por mim e a pedir atenção: "mãããã, an'cá!" E lá vem ela buscar-me pela mão para me ir sentar ao lado dela a ver televisão. Tudo o que estou a fazer fica a meio porque ela não desiste enquanto não me arrasta com ela. Dois minutos depois consigo fugir para os meus afazeres que são interrompidos logo uns minutos depois: "mãããã, an'cá!" E é assim o dia inteiro. : )

Na segunda-feira, porém, uma das interrupções foi protagonizada pelo carteiro que, a meio tarde, me tocou à porta (e em boa hora porque só chego a casa ao fim da tarde). Achei estranho porque não estava à espera de nada mas ao ver a caixa com um carimbo dos correios de Espanha, não tive dúvidas. Chegava o presente do meu AIG.

Estava a meio desta receita e por mais que a curiosidade fosse muita consegui acabar de envolver as claras em castelo na massa, colocar o preparado no tabuleiro e meter no forno. Mas sempre com um olho na caixa.. E lá corri a abri-la. Estava cheia de iguarias andaluzes, delicadamente envolvidas em potes de vidro pintados à mão.. O meu Amigo Invisível Gastronómico não poderia ter-me enviado melhor presente. Adoçou-me a boca de tal maneira que me sentei de imediato à mesa a saborerar uns docinhos de coco e a conhecer um pouco de Priego de Córdoba.

E eis o que a Isabel me enviou:

1) Brochuras e mapas de Priego e de alguns dos seus produtos tradicionais como o azeite com a Denominação de Origem de Priego de Córdoba, que conta já com mais de 280 prémios e os "turrolates", um doce típico feito à base de cacau, amendoas ou amendoins, açúcar e canela;


2) marmelada, suspiros e docinhos de coco caseiros e caramelos de Priego;
 
Tudo carinhosamente embalado em frascos pintados à mão pela Isabel e envolvidos em dois individuais verde e amarelo. Obrigada Isabel! A visita já está prometida!
 
E como o presente chegou a meio da confecção destes quadradinhos deliciosos, é a ela que dedico esta receita!



Quadradinhos de canela

Ingredientes: 120gr de mel, 125gr de amêndoas com pele, 2 ovos, 50gr de açúcar, 1 colher de sobremesa de canela, 1 pitada de noz moscada, 220gr de farinha com fermento

(T): Triture finamente as amêndoas e reserve. Bata as claras em castelo firme e reserve.
Bata as gemas com o açúcar até obter um creme fôfo. Junte o mel, as amêndoas, a canela e a noz moscada e envolva bem. Adicione a farinha e misture. Por fim envolva cuidadosamente as claras em castelo. Deite o preparado num tabuleiro untado e polvilhado com farinha e leve a forno pré-aquecido a 180º durante 15 a 20 minutos.
Desenforme e corte em pequenos quadrados.


Notas:- Não use um tabuleiro muito largo e tenha atenção ao tempo do forno para evitar que se queimem;
- Receita adaptada de uma recortada de um pacote de farinha;

15 novembro 2009

Creme de castanhas assadas_dia bege | beige day

Pessoalmente não gosto da cor creme ou bege. Se para muitos o transparente ou o branco são a ausência de cor, acho que o bege não lhe fica atrás. Para bege já basto eu nesta altura do ano. : ) Esta cor também não me traz qualquer inspiração e é de todo desprovida de sentimento. Mas porque o sentimento que me une hoje a esta cor é o da amizade e da partilha, aqui fica a minha contribuição creme para este desafio que está prestes a chegar ao fim (oohhhhhh!!!).

Creme de castanhas assadas

Ingredientes: 400gr de castanhas assadas limpas, 1 alho francês, 1 cebola, 2 cenouras, 1 courgette pequena, 1 talo de aipo, 1l de caldo de aves caseiro, 1,5 dl de natas, 2 colheres sopa de azeite, sal e pimenta preta q.b., bacon em fatias ou tiras

(T): Corte a cebola, o alho francês e o aipo em rodelas e refogue no azeite até ficarem translúcidos. Junte as cenouras e a courgette em pedaços pequenos. Junte depois as castanhas e o caldo de aves a ferver. Tape e deixe cozinhar por cerca de 30 minutos em lume médio. Reduza a puré com a varinha mágica, junte as natas e tempere com sal e pimenta preta moída na hora. Envolva e deixe levantar fervura.
Entretanto leve o bacon a tostar no microondas (programe 1 minuto na temperatura máxima). Sirva o creme de castanhas com os pedacinhos de bacon tostados.

(B): Coloque a cebola, o alho francês e o aipo no copo e pique-os 4 seg, na vel 5.
Junte o azeite e refogue 4 min, 100º, vel 1.
Junte as cenouras e a courgette em pedaços pequenos. Junte depois as castanhas e o caldo de aves a ferver e programe 25 min, 100º, vel 1. Passe a sopa 30seg na vel 5-7-9.
Junte as natas, tempere com sal e pimenta preta moída na hora e deixe cozinhar 5 min, 100º, vel 2.
Entretanto leve o bacon a tostar no microondas (programe 1 minuto na temperatura máxima). Sirva o creme de castanhas com os pedacinhos de bacon
tostados.


Notas:
- Pode usar castanhas congeladas ou cruas mas o creme não ficará com o mesmo sabor.

05 novembro 2009

Sopa de peixe folhada em comemoração tertuliana

Figo Lampo engalanou-se e vestiu-se a rigor, como manda a comemoração.
A cozinheira arregaçou mangas e entre panelas e tachos dedicou-se à criação.
Ao lume o caldo borbulhava e o aroma não deixava enganar.
A algarvia de gema preparava um banquete que à Moira sabia que ia agradar.
À saída do forno já esperava a colher que, sem demoras, se afundou sofregamente.
Provada, aprovada e fotografada estava pronta seguir destino. Do remetente,
levava apenas uma mensagem de amizade e felicitação:
“que esta data seja sempre comemorada com alegria e boa disposição!”
E agora, para quem não conhece a nossa querida Manuela,
Resta-me dizer que a simpatia e o talento são características daquela,
Que entre a cidade e a terrinha,
sonhava com uma antiga frigideira de ferro na sua cozinha!

Para assinalar esta data decidi escolher uma receita típica do Algarve e, ao mesmo tempo, uma receita semelhante já publicada pela Moira. Por sorte, a primeira sopa publicada no Tertúlia foi mesmo uma sopa de peixe. Aqui fica então a minha contribuição para comemorar os dois anos deste blogue!


Sopa de peixe folhada

Ingredientes: 1 cabeça de garoupa + 1 rabo, 200gr de camarão, 2 cebolas, 2 dentes de alho, 200gr de tomate sem pele nem sementes, 1dl de vinho branco seco, 1 folha de louro, 1/2 ramo de coentros, 1 mão cheia de massa cotovelinhos, massa folhada, azeite, sal e pimenta q.b.

(T): Numa panela leve ao lume o peixe, os camarões, uns pés de coentros, uma cebola partida ao meio, um dente de alho, a folha de louro e o sal. Retire as polpas do rabo do peixe e da cabeça. Coe a água da cozedura e reserve.
Corte a cebola em rodelas, lamine o alho e refogue no azeite. Junte o tomate, os coentros e o vinho e deixe cozinhar por uns minutos até evaporar. Passe tudo com a varinha mágica. Junte a água da cozedura e deixe levantar fervura. Adicione a massa e deixe cozinhar uns minutos. Junte as polpas do peixe e os camarões descascados.
Estenda a massa folhada, corte quatro círculos de massa folhada um pouco mais largos que a boca das tigelas refractárias onde vai servir a sopa. Pincele os rebordos das mesmas com água e tape-as com a massa folhada, unindo-as bem às tigelas.
Leve a forno pré-aquecido a 200º durante 10 minutos. Sirva de imediato.

(B): Numa panela leve ao lume o peixe, os camarões, uns pés de coentros, uma cebola partida ao meio, um dente de alho, a folha de louro e o sal. Retire as polpas do rabo do peixe e da cabeça. Coe a água da cozedura e reserve.
Coloque a cebola e o dente de alho no copo e pique 5 seg na vel 4. Junte o azeite e refogue 4 min, 100º, vel 1. Junte o tomate, os coentros e o vinho e programe 4 min, 100º, vel 1. Triture 20 seg na vel 5-7-9. Junte a água da cozedura e programe 12 min, 100º, vel colher inversa. Aos 8 minutos junte a massa. No final do tempo adicione as polpas do peixe e os camarões descascados. Estenda a massa folhada, corte quatro círculos de massa folhada um pouco mais largos que a boca das tigelas refractárias onde vai servir a sopa. Pincele os rebordos das mesmas com água e tape-as com a massa folhada, unindo-as bem às tigelas.
Leve a forno pré-aquecido a 200º durante 10 minutos. Sirva de imediato.

Aproveito para convidar todos os que visitam o figo lampo a visitar o Tertúlia de Sabores e participarem no desafio que a Moira lançou aos seus leitores.

Notas:
- Pode sempre usar o peixe todo e omitir o camarão ou a massa para a sopa não ficar tão "pesada";
- A massa folhada cobre apenas a boca da tigela, como se fosse uma tampa.

16 outubro 2009

Pão que sobre, Carne que baste e Vinho que falte

É triste mas é verdade. Em pleno séc. XXI o pão continua a ser o único meio de sustento de muita gente neste mundo.

Por isso, e porque hoje se comemora o Dia Mundial da Alimentação, não hesitei em associar-me ao world bread day 2009 – yes, we bake! que vai já na sua 4.ª edição e que tão bem foi divulgado pela querida Moira. O dia é hoje e o desafio está lançado. Façam pão hoje e lembrem-se de todos os que por este mundo anseiam por um pouco desse bem tão precioso.

Escolhi um pão feito com farinha de kamut, uma variedade de trigo bastante antiga que teve a sua origem no Egipto e que foi cultivado durante milhares de anos até ter sido substituído por outras variedades de trigo. O processo de produção dos egípcios era bastante simples, pedras moíam o trigo que adicionado à água formava uma massa mole.

Também é conhecido por trigo rústico porque não sofreu qualquer tipo de manipulação através das técnicas de agricultura mais modernas, e, também por isso, é mais rico em proteínas, aminoácidos, vitaminas e minerais.

A farinha de kamut não é fácil de encontrar (comprei numa loja de produtos naturais) e tem um preço pouco convidativo mas garanto-vos que o sabor e os benefícios compensam e muito!


Pão de kamut com amêndoas

Ingredientes: 350ml de água, 1 1/2 colher de café de sal, 300gr de farinha de kamut, 200gr de farinha tipo 65, 1 1/2 colher de café de fermento seco, 125gr de amêndoas inteiras

(mfp): Introduza os ingredientes pela ordem indicada no recipiente da máquina excepto as amêndoas. Coloque-as no distribuidor ou, caso a sua máquina não o possua, junte-as quando soar o sinal sonoro. Inicie um programa de pão completo na opção meio tostado. Retire o pão e deixe arrefecer sobre uma grelha.

******

Como participar? É simples!

"Leia com atenção as instruções que vêm a seguir. O envio de e-mail e o link para este post são obrigatórios, se um deles estiver em falta é possível que não apareçam na ronda final. Obrigado pela vossa compreensão.
Façam ou comprem um pão, tirem-lhe uma foto (se possível) e publiquem um artigo no dia 16 de Outubro. Apenas uma entrada por blog.
A vossa entrada tem que ser um novo post especificamente escrito para este evento e esse post não pode participar em outros eventos culinários.
Preencham
este formulário e o vosso post será incluído na ronda.
Por favor façam uma hiperligação para este anúncio no vosso post e posteriormente para a ronda.
O último dia para participar será sábado, dia 17 de Outubro. "


Notas:
- Receita do livro "Atelier do Pão".

11 outubro 2009

Café aromático_dia preto | black day

Detive-me alguns momentos a pensar em ingredientes pretos para este dia. Lembrei-me das azeitonas pretas, do feijão preto, dos chocos com tinta, do peixe espada preto, da morcela, dos mexilhões, dos percebes, das lapas, do gergelim, do chá preto, da pasta al nero di sépia, da beringela, do figo preto, da fava de baunilha e da alfarroba, dos mirtilos e amoras.. Lembrei-me que poderia fazer uns pertiscos do Algarve como umas azeitonas temperadas à algarvia ou uns belos choquinhos com tinta. Mas ultimamente muito pouco tenho cozinhado em casa e à parte do pequeno-almoço, todas as outras refeições têm sido feitas fora.


E foi precisamente na primeira refeição da manhã que, ao olhar para a minha chávena de café, me ocorreu que ele seria a estrela deste dia preto. A minha companhia diária de pequeno almoço, sempre banalizada entre leite e torradas, salta hoje para as luzes da ribalta e dá cor a este dia.


Bom dia preto para todos!




Café aromático

Ingredientes: café moido (usei Jamaica Blue Mountain Coffee), 2 paus de canela, 1 colher de café de gengibre em pó, 1 colher de café de noz moscada, 3 cápsulas de cardamomo, água
(T): Misture o café com o gengibre e a noz moscada. Coloque no filtro da máquina de café, os paus de canela, as cápsulas de cardamomo e a mistura do café moído com as especiarias. Ligue a máquina e aguarde pelo aroma quente e mistico deste café acabado de fazer. Acompanhe com uns biscoitos de mel de cana e uma boa leitura ao fim da tarde.


p.s. Apesar de estar a celebrar este dia preto, a minha alma hoje veste-se de verde esperança. ; )

13 setembro 2009

Smoothie silvestre_dia roxo | purple day

Roxo amor frouxo, lilás amor capaz... Sempre me dizia a minha avó quando me via com uma peça de roupa roxa vestida. Nunca esqueci esta lengalenga que ela completava de imediato com as cores todas que lhe vinham à cabeça. Amarelo amor singelo, encarnado amor apertado...
O roxo combina a estabilidade do azul frio com a energia de vermelho quente, dois opostos muito fortes. É uma cor sempre associada à realeza. Simboliza poder, nobreza, luxo, e ambição. Carrega riqueza e extravagância. É a cor da sabedoria, dignidade, independência, mistério, e magia.

E é a cor da criatividade, palavra chave deste desafio que no dia de hoje caracterizará, sem dúvida, muitos blogues gastronómicos. Bom dia roxo a todos!



Smoothie silvestre

Ingredientes: 3/4 chávena de amoras e mirtilos, 1 banana pequena, 1/4 chávena de iogurte natural, 3/4 chávena de leite, gelo q.b.

(B): Coloque todos os ingredientes no copo e programe 15 seg na vel 4. Sirva de imediato.

(T): Coloque todos os ingredientes no liquidificador e triture durantes alguns segundos. Sirva de imediato.

05 julho 2009

Queijo de figo_dia castanho | brown day

E eis-nos chegados ao dia da cor castanha. Cor dos ingredientes base da doçaria algarvia, a amêndoa, o figo e a alfarroba, que reflectem muito a passagem árabe pelo território nacional. A mestria com que se produzem, a mistura de condimentos secretos, os aromas frutados e quentes, a textura rica e as formas trabalhadas viciam o estômago e a alma, apelam aos sentidos e deixam no paladar a tentação de um regresso rápido ao Algarve só para os voltar a saborear.
Para este dia escolhi o queijo de figo que, pelo peculiar sabor que os seus ingredientes lhe conferem, textura e formato, arrebata lugar de destaque no top dos doces regionais.

Bom dia castanho a todos!
 
Queijo de figo

Ingredientes: 250gr de figos secos, 250gr de amêndoas (usei com pele), 250gr de açúcar, 25gr de chocolate em pó, 5gr de canela (ou 1 colher de café), 1,5gr de erva-doce (ou 1 colher de café), 1,5 dl de água, raspa de meio limão
 
(T): Torre os figos e as amêndoas no forno. Moa-os separadamente e reserve. Leve ao lume a água, o açúcar, a canela, a raspa de limão, a erva-doce e o chocolate até formar ponto de estrada. Junte a amêndoa moída, mexendo sempre e deixando ferver durante 5 minutos. Adicione de seguida o figo moído, continuando a mexer e deixando ferver mais 5 minutos. À parte, polvilhe um tabuleiro com açúcar. Deite o preparado e deixe arrefecer. Depois de frio molde vários queijinhos ou um queijo grande.
 
(B): Torre as amêndoas e os figos no forno. Triture as amêndoas 15 seg na vel 5. Reserve. Triture os figos com uns golpes de turbo e mais 15 seg na vel 5-7. Reserve. Sem lavar o copo, coloque o açúcar, o chocolate em pó, a casca de limão, a canela e a erva-doce. Pulverize uns segundos na vel 8. Junte a água e programe 18 min, temp varoma, vel 1 (até obter em ponto de estrada). Misture as amêndoas trituradas 5 seg na vel 4, e programe 5 minutos, temp varoma, vel 1. No final misture os figos triturados 5 seg na vel 4 e programe mais 5 minutos, temp varoma, vel 2. À parte, polvilhe um tabuleiro com açúcar. Deite o preparado e deixe arrefecer. Depois de frio molde vários queijinhos ou um queijo grande.
 
Notas:
- Se achar necessário unte as mãos com um pouco de óleo para facilitar a moldagem dos queijinhos;
- Pode usar amêndoa com ou sem pele. No meu caso pessoal gosto mais com pele;
- Pode consumir de imediato ou guardar embrulhados em película aderente durante algum tempo;
- Como o queijo grande era para oferecer pincelei as amêndoas com um pouco de mel aquecido e diluido numa colher de chá de água.

23 junho 2009

"São João, São João, São João, dá cá um balão para eu brincar"

Santo António a 13, São João a 24 e São Pedro a 29.

Cantigas populares e bailaricos,
quadras em manjericos.
Ruas engalanadas com arcos e balões,
grupos musicais a animar os serões.

Mastros forrados a murta e rosmaninho,
às marchas populares abrem caminho.
Descem pela avenida trajadas de feição
cantam e acenam com o arco e o balão.
Gente na rua a comer e a bailar
E a sardinha sempre a assar.
Bebe-se sangria a jarro
come-se a sardinha no pão.
E volta-se com outro jarro na mão.

O cheiro a rosmaninho queimado já paira no ar
e as meninas estão prontas para a fogueira saltar.

Os conjuntos populares ditam o passo do bailarico.
É tempo de bailar até cansar. Roda e torna a rodar.
A noite cheira a sardinha e a rosmaninho
O movimento começa a abrandar.
Nas mesas uma última rodada de sangria e a bela bifana no pão a rematar.


Sangria tinta

Ingredientes: 2 laranjas grande, 1 maçã grande, 1 limão, 1 pêssego maduro, 2 paus de canela, 5 colheres de sopa de açúcar amarelo, 1lt de vinho tinto, 1 cálice de licor beirão, 1 cálice de martini bianco, 1 garrafa de bebida de laranja gasosa (tipo fanta)

(T): Corte a maçã, as laranjas e os pêssegos em pequenos quartos. Regue com o sumo de limão, misture o açúcar e os paus de canela e envolva bem. Deixe a macerar durante cerca de 30/40 minutos.
Misture entretanto o vinho com as restantes bebidas alcoólicas e o sumo gasoso. Junte a mistura de frutas macerada e mexa bem. Sirva com pedras de gelo na hora.

São assim as comemorações dos Santos populares por cá. Muita gente na rua, muita animação e claro, muita sardinha no pão. Amanhã já há festa a valer e eu lá estarei.

Entretanto deixo este post à simpática Ana Kadja para sua "Quadrilha Gastronómica na Blogosfera" sobre as tradições gastronómicas das festas juninas por todo o mundo. Boa continuação de festas juninas por aí!

Notas:
- As frutas usadas devem ser a gosto pessoal, podendo acrescentar ou subtrair algumas;
- Se gostar de uma sangria mais forte não coloque todo o conteúdo da garrafa de sumo;
- A tradicional desta quadra festiva é a tinta mas tanto a branca como a de espumante são igualmente muito boas!

21 junho 2009

Mousse de gengibre-limão e um apelo_dia branco | white day

wit, blanco, bilá, blanc, white, bianco, beyac, bijelo, Alb, λευκό, सफ़ेद, белый.. Branco. O idioma pouco importaria se o mundo inteiro se unisse pelo bem mais grandioso que esta cor simboliza, se o mundo inteiro se fizesse valer pelos valores deste bem. A Paz.

Pouco há a dizer sobre este tema. Ou talvez haja muito, não sei. Correm rios de tinta em jornais e revistas, gastam-se fortunas em campanhas, assinam-se acordos e tratados, estabelecem-se pactos, nomeiam-se Prémios Nobel e Embaixadores.. E tudo isto para quê? Será tão difícil assim entender que se a paz não estiver na alma de cada de um, de pouco servirão ao mundo as boas intenções? Pensemos nisto! "A paz não é um bandeira branca, é uma alma limpa."

E porque branco também é cor que da amizade e da partilha, aqui fica o meu contributo para o desafio do Delicias e Talentos, da Mary, que hoje vestirá de branco dezenas de blogues gastronómicos.

Bom dia BRANCO a todos!



Mousse de gengibre-limão

Ingredientes: 4 ovos grandes (240gr), 160gr de açúcar, 140gr de sumo de limão, 1 colher de chá de gengibre fresco ralado, 300gr de natas bem frescas


(B):
Encaixe a borboleta e coloque no copo os ovos, o açúcar, o sumo de limão e o gengibre. Programe 4 min, 100º, vel 2. Programe mais 5 minutos, temp 80º, vel 1.
Coloque a mistura num recipiente, cubra com película aderente e deixe arrefecer no frio por cerca de 30 minutos.
Lave e seque o copo, encaixe a borboleta e bata as natas bem firmes 3 min, vel 3 1/2. Envolva delicadamente no preparado de limão. Leve ao frio durante 30 minutos, no mínimo, antes de servir.


(T):
Num pequeno tacho leve ao lume os ovos, o açúcar, o sumo de limão e o gengibre. Mexa bem e deixe cozinhar em lume brando durante cerca de 4/minutos, até obter uma mistura cremosa. Baixe o lume e deixe cozinhar por mais 7 a 9 minutos até que a misture fique com consistência suficiente para aderir à parte traseira de uma colher. Coloque a mistura num recipiente, cubra com película aderente e deixe arrefecer no frio por cerca de 30 minutos.
Bata as natas bem firmes e envolva delicadamente no preparado de limão. Leve ao frio durante 30 minutos, no mínimo, antes de servir.


Notas:
- Receita
daqui.
- Esta mousse fica com um sabor e consistência fantásticos! Perfeita para este tempo quente.

31 maio 2009

Polvo guisado_dia rosa | pink day

Mais um desafio, mais uma cor, mais uma oportunidade para falar das minhas raízes.

Rosa também é cor do tipicíssimo algarvio. É tom de peixes que se servem grelhados ou em cataplanas. De docinhos de massapão manualmente trabalhados. Da flor de amendoeira. Do céu num fim de tarde quente de verão. Do atum fresco. E do polvo, que tornou famosa a vila de Santa Luzia (em Tavira) e a consagrou como a “capital do polvo”.

Santa Luzia regista
as primeiras pescarias de polvo em 1927. Hoje continuam a ser pescados, com recurso a covos, murjonas e ainda alcatruzes.

A escassez vai ditanto alguma contenção na pesca mas o polvo continua a ser rei e quem por cá passa rende-se facilmente aos inúmeros pratos de polvo, tipicamente confeccionados.
 
A minha contribuição para o dia rosa fica assim registada em "tons de polvo"!

Polvo guisado

Ingredientes: 1 polvo congelado, 2 cebolas grandes, 2 dentes de alho, 50gr de azeite, 100gr de vinho tinto, 100gr de tomate pelado em pedaços, 1 colher de chá de massa de pimentão, 1 folha de louro, 1/2 ramo de salsa, sal e pimenta q.b.

(T): Coza previamente o polvo na panela de pressão com uma cebola, Corte-o em pedaços e reserve. Pique a cebola e os alhos e refogue em lume brando até a cebola estar translúcida. Junte o tomate, a massa de pimentão, o polvo em pedaços, o louro e o ramo de salsa. Regue com o vinho e tempere com sal e pimenta preta moída a gosto. Cozinhe durante aproximadamente 15 minutos, com o tacho tapado.
Sirva acompanhado de batatinhas novas cozidas com pele.

(B): Coza previamente o polvo na panela de pressão com uma cebola. Corte-o em pedaços e reserve.
Coloque no copo a cebola e os dentes de alhos e pique 5 seg, na vel 5. Junte o azeite e refogue 5 min, 100º, vel 1. Junte o tomate, a massa de pimentão, o polvo em pedaços, o louro e o ramo de salsa. Regue com o vinho e tempere com sal e pimenta preta moída a gosto. Cozinhe por 18 min, temp varoma, vel colher inversa. A 3 minutos do final retire o copinho para apurar o molho.
Sirva acompanhado de batatinhas novas cozidas com pele.




Notas:
- Antes de cozinhar o polvo convém deixá-lo algum tempo no congelador para que fique mais macio, pois o gelo parte todos os ligamentos internos do polvo. Tambem pode logo comprá-lo
congelado, quanto mais tempo permanecer congelado mais macio e tenro ficará.

17 maio 2009

Xarém rico_dia amarelo | yellow day

Se o ditado dizia que "quem passarinhos receia, milho não semeia", atrevo-me a dizer que em terras do sul o ditado era seguido à risca, sendo o milho sustento de muitas famílias em tempos idos. Até há bem pouco tempo ainda se fazia a farinha de milho em algumas zonas do Algarve, moendo os grãos numa mó manual herdada do tempo dos romanos. Esta farinha grosseira resultante do milho mal moído era, e ainda é, usada para fazer o típico xarém (ou xerém), as papas de milho comuns a toda a bacia mediterrânica.


Há quem diga que o xarém é uma das “receitas intemporais do Algarve”.
Na sua base está um ingrediente fácil de cozinhar e de preço acessível, é certo. Mas o seu segredo são os temperos que, com o toque pessoal de cada um, o tornam numa refeição ou acompanhamento bastante apreciado.

Como algarvia de gema e grande apreciadora da sua gastronomia, para este dia amarelo trago um xárem rico, assim chamado pelo incremento de ingredientes na sua confecção, contrastando assim com o tradicional xarém pobre.

Aqui fica a receita bem amarelinha!




Xarém rico

Ingredientes: 1dl de azeite, 3 dentes de alho, 2 cubos de toucinho, 500gr de amêijoa, conquilha e berbigão, 300gr de miolo de camarão, 400gr de farinha de milho para xarém, 1 molho de coentros, sal q.b.

(T): Depois de bem lavadas em várias águas, abra 3/4 das amêijoas, as conquilhas e os berbigões num tacho com água fervente. Tire os miolos das cascas e reserve. Coe a água da cozedura e reserve também.
Num tacho de barro coloque o azeite, o alho picadinho e o toucinho e deixe refogar uns minutos até o toucinho começar a ficar translúcido. Adicione o miolo de camarão e os restantes bivalves fechados e deixe abrir. Junte a água da cozedura, tempere com sal a gosto e deixe ferver um pouco. Retire o tacho do lume e adicione a farinha em chuva e aos poucos para não encaroçar. Leve novamente ao lume e deixe cozer, mexendo de vez em quando. Junte os coentros picados, misture bem e sirva.



Notas:
- Conforme o gosto pessoal o xarém pode ficar mais ou menos liquido, sendo para isso necessário controlar a consistência à medida que se vai juntando a farinha de milho.
- Pode usar apenas um dos bivalves na sua confecção.

29 abril 2009

Dip de abacate e ervas aromáticas_green day

Transmite por si só paz e serenidade. É cor que não deixa morrer a esperança. Que simboliza a energia da natureza. Que persegue os optimistas. Que afugenta o mau augúrio. Que conforta e relaxa. Que faz vibrar olhares. Que impõe respeito e ordem. Que dá vida. Que sacia. Que afasta o perigo. Que abona as culturas. Que ordena passagem. Que aviva memórias. Que representa um povo. Que harmoniza. Que cura. Que desperta fome e sede. E, claro, é a cor de dá o mote ao desafio do Dia da Cor desta quarta-feira.

A minha proposta verde pode anteceder uma refeição, complementar um prato ou constituir um simples snack. Saboreia-se só ou acompanhado a gosto e impõe um sabor bem característico e fresco.

Dip de abacate e ervas aromáticas

Ingredientes: 1 abacate, 2 colheres de sopa de iogurte natural, sumo de 1/2 limão, 1 dente de alho, cebolinho, salsa, manjericão, sal e pimenta preta de moinho q.b.

(B): Coloque todos os ingredientes no copo da Bimby e triture 30 seg, na vel 5-7. Faça descer os resíduos das paredes do copo e volte a triturar 1 min, na vel 7-8. Sirva de imediato.

(T): Coloque todos os ingredientes num liquidificador ou robot de cozinha e triture até obter uma pasta cremosa e homgénea. Sirva de imediato.

Sugestões:
- Pode servir com aperitivos de milho (nachos), palitos de legumes crus ou mini tostas;
- Funciona muito bem como guarnição de uma salada ou de uma simples massa cozida.


15 abril 2009

Compota de morango, tomilho e baunilha _red day

Vermelho é paixão e ira. É sangue e vida. É morango e groselha. É tinta e papel. É cor e pigmento. É tomate e beterraba. É fogo e terra. É força e virilidade. É feminino e masculino. É sopa e compota. E é o tema do dia de hoje no desafio Dia da Cor lançado pela Mary.

As possibilidades de criação em torno da cor escarlate são imensas e acredito que mil e uma ideias tenham passado pela cabeça de todas as que hoje participam no desafio. Eu não fui excepção mas a escolha recaiu por uma compota que me andava a tentar desde que a vi. A escolha foi perfeita e assim deixo a minha marca no Red Day.


Compota de morango, tomilho e baunilha

Ingredientes: 1,5kg morangos pouco maduros (usei 800gr), 1,5kg açúcar branco (usei 700gr), 1 vagem de baunilha, tomilho-limão q.b., sumo de 2 limões (usei 1 limão grande)
(MFP): Corte os morangos em fatias grossas, coloque-os numa taça, regue com o sumo dos 2 limões e o açúcar. Envolva com cuidado e tape com papel transparente. Deixe a repousar de um dia para o outro. Deite a mistura de fruta na cuba da máquina de pão, junte as sementes da vagem de baunilha e as folhas de tomilho e selecione o programa Doce/Compota. Deixe arrefecer por alguns minutos e deite em frascos de vidro previamente esterelizados. Vede bem.



(T): Corte os morangos em fatias grossas, coloque-os numa taça, regue com o sumo dos 2 limões e o açúcar. Envolva com cuidado e tape com papel transparente. Deixe a repousar de um dia para o outro. Deite a mistura de fruta num tacho próprio e em lume brando deixe ferver durante 5 minutos. Retire qualquer tipo de espuma que se tenha formado e incorpore as sementes da vagem de baunilha, assim como as folhas de tomilho e mexa bem. Deixe arrefecer por alguns minutos e deite em frascos de vidro. Vede bem.


Notas:
- Este receita rende 3 frascos médios de compota;
- A compota fica bastante macia, com um aroma a baunilha e tomilho;
- Receita elaborada pela RAR para a bluecooking.

10 abril 2009

Ovos de chocolate e amêndoa com cobertura de chocolate branco

Vem de longe a tradição da caça ao ovo. Os participantes pintavam e decoravam os ovos e escondiam-nos nos campos. Esta tradição assinalava o equinócio da Primavera e mais tarde foi adaptada pela Igreja Católica no principio do 1º milénio depois de Cristo, fundindo-a com outra festa popular da altura chamada de Páscoa. Ainda assim, o ritual da decoração dos ovos de Páscoa manteve-se até hoje nesta tradição quando ocorre o equinócio da Primavera.


Por cá a Páscoa celebra-se com os almoços em familia, a troca de ovos, amêndoas ou folares doces e as tradicionais procissões que anualmente marcam as celebrações da Semana Santa.

Boa Páscoa!!




Ovos de chocolate e amêndoa com cobertura de chocolate branco



Ingredientes (para 8 ovos): 60gr de amêndoa moida, 100gr de açúcar amarelo, 30gr de cacau em pó, 25gr de chocolate em pó, 25gr de manteiga à temperatura ambiente, 1 ovo pequeno

Para a cobertura: 150gr de chocolate branco, 75ml de natas, 25gr de manteiga, corante amarelo q.b.

Para a decoração: pauzinhos de espetadas, papel de alumínio, esferovite, duas caixas de ovos, tinta para papel, ráfia


(B): Coloque no copo todos os ingredientes e misture 20seg na velocidade 5. Deixe a massa repousar cerca de 30 minutos. Divida-a em 8 partes iguais, passe as mãos por óleo e dê-lhe a forma de ovo. Coloque no frigorífico de um dia para o outro.

(T): Misture bem todos os ingredientes num recipiente até estarem bem ligados. Deixe a massa repousar cerca de 30 minutos. Divida-a em 8 partes iguais, passe as mãos por óleo e dê-lhe a forma de ovo. Coloque no frigorífico de um dia para o outro.

Prepare a cobertura levando ao lume as natas até ferver. Retire-as do fogo e coloque o chocolate, previamente picado, aos poucos. Com uma espátula misture delicadamente, fazendo pequenos círculos. Quando a temperatura tiver descido abaixo de 60°C, incorpore a manteiga e envolva da mesma forma até obter um creme homogéneo. Misture depois o corante.

Forre o topo dos pauzinhos de espetadas com o papel de alumínio. Espete cada ovo num pauzinho, passe-os pelo chocolate até ficarem completamente cobertos e coloque-os a secar espetando a base do pauzinho no esferovite ou noutro suporte. Deixe secar durante umas horas. Retire-os cuidadosamente e apare o excedente com uma faca afiada. Reserve.


Para as caixinhas dos ovos: Separe a parte de baixo de duas caixas de ovos das tampas. Corte-as de modo a obter apenas uma caixa para 4 ovos. Apare as pontas e arredonde-as ligeiramente. Pinte-as com a cor desejada e deixe secar. Coloque nas 4 cavidades dos ovos pedaços de ráfia e coloque os ovos em cima de cada uma. Se for para oferecer pode embrulhá-los em papel celofane. Se preferir pode derretar novamente o chocolate restante e tapar os orifícios deixados pelos pauzinhos.



Notas:- Se preferir pode derreter novamente o chocolate restante e tapar os orifícios deixados pelos pauzinhos;
- Pode usar a caixa inteira ou recortando-a com o número de ovos que pretender colocar dentro;
- Receita baseada na Brisas Africanas do Livro "O melhor das nossas familias", da Vorwerk

Com esta receita participo no desafio de Páscoa do Chá da Tarde - Chocolate.

10 dezembro 2008

Bolo de Fubá Delicia



Quem me conhece desde pequena sabe que eu tenho uma paixão enorme pelo Brasil, em especial pelo "português cantado" que lá se fala. Adoro! Lembro-me de, em miúda, brincar às telenovelas e passar o tempo a falar brasileiro. Às vezes até dizia que gostava de ter nascido no Brasil só para poder falar a lingua deles. E acreditem que ainda hoje é assim. A minha terapia para fazer uma boa pausa a meio do dia de trabalho, é ler alguns blogues culinários das amiguinhas virtuais da blogosfera. Divirto-me bastante com a forma como escrevem, com as expressões tão características e principalmente com a melodia das frases. E quando dou por mim, fico por momentos sem saber como falar e escrever português correcto..

Por essa razão e outras, e porque a partilha de experiências é uma máxima da minha vida, falei com a Ameixa para participar no Intercâmbio Culinário, o qual já visitava muito antes de ter o Figo Lampo. Daí até ao post de hoje foi tudo um ganho pessoal. Uma experiência, uma amiga, novas receitas e a confirmação de que até na área da gastronomia eu podia ter nascido brasileira. É que este bolo que escolhi não podia ser mais do meu agrado. Ficou bem do jeito que eu gosto (esta frase soou a brasileiro!)!

Agradeço à minha parceira maravilhosa, a Téia, a simpatia, alegria, carinho e as receitas partilhadas. É muito bom quando conhecemos as pessoas para lá dos posts dos blogs. Pena a distância que nos separa.. Estou certa que nos daríamos muito bem, até porque a Téia tem raízes portuguesas. Acho que lhe vou propor um intercâmbio, mas de residência (risos).
A receita que escolhi é um bolinho que faz as minhas delicias. Adoro goiabada e farinha de milho. Aliás, tento sempre usar a farinha de milho em vários cozinhados, doces ou salgados. Costumo fazer um bolo de fubá mas um pouco diferente deste e sem a goiabada. Tive foi um pequeno precalço com o forno que o deixou um pouquinho "moreno" demais. Mas estava delicioso na mesma!

As outras receitas que a Téia me enviou eu guardei para fazer depois, é claro! Não poderia perder a "chance" de passar mais uns momentos bem brasileiros. Ainda que sejam na minha cozinha! (risos)

Aqui fica a receita, retirada do livro "O Doce Brasileiro":



Bolo de Fubá Delícia (20 porções)

Ingredientes: 200g de manteiga, 3 ovos, 1 lata de leite condensado, 1/2 xícara de leite, 1 xícara de farinha de trigo, 2 xícaras de fubá (usei farinha de milho), 1 colher de fermento em pó, 1 xícara de goiabada cortada em pequenos cubos, farinha de trigo para polvilhar a goiabada

(t): Em uma batedeira, junte a manteiga e os ovos e bata até formar um creme fofo. Adicione o leite condensado em fio e continue batendo. Desligue a batedeira, acrescente o leite, a farinha de trigo, o fubá e o fermento. Misture muito bem. unte uma fôrma de furo central com manteiga (23cm de diâmetro) e despeja à massa. Passe os cubos de goiabada pela farinha, retire o excesso e espalhe os cubos sobre a massa, afundando-os levemente com o auxílio de uma faca. Leve para assar em forno médio pré-aquecido,por aproximadamente 30 minutos.


 
O único ingrediente que substituí foi a farinha de fubá por farinha de milho porque no hiper onde costumo fazer compras não havia no momento. A goiabada eu já conhecia. Encontra-se nos grandes supermercados, em latas redondas. Todos os outros ingredientes são habitualmente usados na nossa cozinha por isso este bolinho não tem dificuldade nenhuma.

Antes de finalizar este post não podia deixar de agradecer às meninas que fazem o Intercâmbio Culinário,
Axly, Ameixinha e Nana. Um grande beijinho para todas e uma continuação deste vosso/nosso projecto. Ahhh! Eu quero continuar a participar! : )