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12 agosto 2010

Pérolas da Ria

Já não conto os dias para entrar de férias. Amanhã por esta hora dou início ao período de sopas e descanso por que tanto anseio. Estão a chegar os dias vividos em slow motion, A palavra descansar está no topo da to do list. Seguem-se as palavras dormir, ir à praia, ler, petiscar, passear…

E por falar em petiscar, deixo-vos uma sugestão com sabor a mar e cheiro a verão. Eu prefiro-as ao natural, com um pouco de sumo de limão apenas.

Entretanto, e se for caso disso, aproveitem os dias de férias!



Ostras
Ao natural: Escove bem as ostras para limpar todas as areias, algas e lamas que possam ainda ter agarradas. Coloque a ostra numa tábua de cozinha na bancada, segure-a com um pano de cozinha (de modo a proteger as mãos) com a casca mais achatada virada para cima. Segure-a firmemente e insira a ponta de uma faca para ostras (ou uma faca pequena de cozinha) na extremidade mais estreita (junto à articulação), entre as duas conchas.

Rode ligeiramente a faca para ambos os lados para forçar as conchas a abrir. Quando a ponta da faca estiver entre as conchas, faça-a deslizar até partir o músculo da ostra. Abra-a com cuidado e descarte a concha superior.

Sirva-as num prato sobre uma camada de gelo picado e limão em quartos.

Na chapa: Depois de as escovar, disponha as ostras numa chapa ou numa frigideira de ferro larga e leve ao fogo até as conchas abrirem. Deixe-as arrefecer e com a ponta da faca ajude a soltar a concha superior. Sirva-as com limão em quartos.

Pode de igual modo abrir as ostras no grelhador ou, se preferir um processo mais rápido, colocando-as no microondas por uns segundos.


07 agosto 2010

Com pão e água

Estes dias têm sido quentes, mas mesmo muito quentes. Este calor suga-me as energias e nem os banhos na praia ao fim da tarde ajudam a carregar baterias. Penso que me falta apenas a próxima semana para entrar de férias e suspiro.. "Parece uma eternidade..."


Ao contrário do resto do ano, na cozinha é onde passo menos tempo. Preparo coisas simples. A inspiração não é muita. E a vontade também não, confesso. Mas no sábado passado, no mercado, não resisti a uns carapaus pequeninos e entre a indecisão de os alimar ou fritar o apetite fintou-me e acabei por prepará-los para fritar assim que cheguei a casa. Com a ponta da faca retirei-lhes as entranhas e parte da cabeça. Enquanto os fritei cortei o pão duro em pedaços, escaldei os tomates e preparei o meu arjamolho. Quando o peixe foi para a mesa, juntei-lhe umas pedras de gelo. Estava perfeito!

 
E já agora, deixem que vos diga, não o dispenso nesta altura!

Bom fim-de-semana!

Arjamolho ou gaspacho algarvio

Ingredientes: 2 tomates maduros, 1 dente de alho, metade de um pimento verde, pão caseiro de véspera, água fria, azeite, vinagre de vinho, orégãos secos e flor de sal q.b.

(T): Pele os tomates, retire-lhe as sementes e corte-os em pequenos pedaços. Limpe o pimento e pique-o (não muito fino). Pise o alho com a flor de sal e junte ao tomate e ao pimento. Numa tigela deite o azeite, a água fria e o vinagre. Junte a o tomate, o pimento, o alho e o sal. Corte o pão em cubos grandes e adicione. Polvilhe abundantemente com orégãos, misture bem e sirva.


Notas:
- Se apreciar, pode juntar um pouco de pepino picado;
- Quanto mais duro estiver o pão melhor ficará.

01 maio 2010

2 petiscos para o dia 1

Sou uma moça de tradições. Gosto de cumprir rituais, comer o que a ocasião manda, assistir a procissões e romarias.. Faço-o com gosto, porque me dá prazer relembrar e recriar costumes e tradições antigas que me foram passadas por gerações anteriores.

O 1.º de Maio é sempre recordado como o dia em que íamos de manhã cedo para a serra algarvia, de farnel aviado para um dia muito bem passado. Os caracóis e as favas, que não podem faltar neste dia, eram sempre preparados lá e o poejo que aromatizava as favas era apanhado nas ribeiras que por ali correm. Carne grelhada e sardinha assada em cima de fatias de pão algarvio, um tinto da produção de um amigo, caracóis e favas sapatadas. Seguiam-se os doces, principalmente bolos caseiros e alguns doces de colher que resistiam bem ao tempo mais quente. No final o passeio para ajudar a digerir até nova petiscada mais à tarde.

Este ano, com a princesa a recuperar, optámos por ficar em casa. Mas o tempo quente convidou-nos ao churrasco lá fora e os caracóis e as favinhas já aguardam pelo lanche!


Caracóis com batatinhas
Ingredientes: caracóis, batatinhas, paus de orégão, uma cabeça de alhos, 1 malagueta, 1 colher de sobremesa de sementes de coentros, água e sal q.b.

(T): Lave bem os caracóis e coloque-os dentro de um tacho alto com água com os paus de orégãos, as batatinhas com pele, os dentes de alho pelados, as sementes de coentros e a malagueta. Leve a lume brando, com o tacho tapado. Quando estiver a ferver deite o sal e deixe cozinhar em lume brando com o tacho tapado até as batatinhas estarem cozidas.


Favas sapatadas
Ingredientes: 500gr de favas descascadas, 1 raminho de poejo, 1 folha de hortelã, flor de sal, água q.b.


(T): Coloque as favas na panela de pressão (ou num tacho fundo) e coloque água até ao nível das favas. Salpique com a os poejos e a folha de hortelã picada. Tape a panela e deixe cozinhar durante cerca de 15 minutos. Retire o vapor, polvilhe com flor de sal triturada e sirva.


Bom primeiro de Maio!

P.S. - Pipoka e gasparzinha esta é para vocês. Imaginem o sabor das batatinhas... : )

14 abril 2010

Açorda de galinha com grão à algarvia

O Algarve não se faz apenas de sol e mar. No interior, a zona serrana, esconde encantos e recantos que se fazem de experiência e saberes. De mãos gastas pelo tempo que cuidam das terras e delas retiram o sustento de uma vida. Mãos firmes e marcadas que sabiamente confeccionam os ricos sabores serranos. A corriqueira e tradicional comida de tacho, como os serranos lhe chamam, e que tão apreciada é por locais e visitantes.

Aqui os produtos hortícolas frescos ganham destaque na gastronomia, a par com as leguminosas verdes e secas, a caça, as aves de capoeira e as ervas aromáticas.
A variedade de pratos é enorme e nas mais variadas formas de confecção, como sopas, ensopados, guisados, estufados..

Esta açorda é um petisco para os apreciadores. Normalmente é servida em grandes tachos de barro ainda a fumegar. O aroma e o sabor transportam-nos para os montes verdejantes salpicados de branco pelas casinhas típicas, envolvidas pelas pequenas hortas e pomares de citrinos..

Este ano marcou presença na nossa mesa no almoço familiar de Páscoa ao invés do tradicional cabrito. Se gostam de uma boa açorda têm mesmo que provar esta!


Açorda de galinha com grão à algarvia

Ingredientes (para 8/10 pessoas): 1 galinha caseira (1kg aproximadamente) partida em bocados, 1 cebola, 2 cravinhos, 1 folha de louro, 300gr de grão-de-bico, 1 molho de hortelã, 2 dentes de alho grandes, sal q.b., 1 pão pequeno caseiro algarvio de véspera fatiado, 1 ou 2 ovos da galinha (se tiver) ou 2 gemas de ovo

(T): Demolhe o grão em água fria de véspera. No próprio diz coza a galinha numa panela com água, a cebola, o cravinho (espete-os na cebola), o louro e sal.
Retire a galinha e coza o grão neste caldo. Depois de cozido, coe o caldo, volte a juntar o grão e a galinha e deixe cozinhar mais uns minutos.
Entretanto disponha as fatias de pão no fundo do tacho. Pique finamente os alhos e as folhas de hortelã. Salpique o pão com esta mistura. Coloque por cima a galinha com o grão. Desfaça os ovos ou as gemas com um garfo e junte um pouco do caldo, aos poucos e mexendo bem para não talhar. Sem parar de mexer misture este preparado com o caldo restante e regue a açorda. Salpique com a hortelã e sirva de imediato.


Notas:
- Pode cozer a galinha junto com o grão;
- Não substitua a hortelã por outra erva aromática.

01 abril 2010

Folar da Páscoa

Com a Páscoa à porta não pode faltar a receita do folar. Bem ao jeito algarvio este é o folar mais tradicional, menos doce e mais seco. Para os apreciadores, como eu, aqui fica a receita como a faço.

Boa Páscoa a todos!



Folar da Páscoa

Ingredientes: 250ml de leite morno, 15g de fermento de padeiro fresco, 120g de açúcar, 500g de farinha T65, 1 ½ colher sobremesa de erva-doce em pó, 1 colher sobremesa de canela em pó, 50g banha derretida, 1/2 cálice de aguardente

Para decorar: 1 ou 2 ovos cozidos, açúcar q.b.

(mfp): Dissolva o fermento num pouco de água morna. Coloque na cuba da MFP os ingredientes pela ordem indicada. Seleccione o programa "massa" e deixe prosseguir até ao final (tempo de levedação incluído).
Unte um tacho de alumínio com manteiga e polvilhe com farinha. Coloque a massa no tacho, disponha em cima os ovos e polvilhe com açúcar. Leve ao forno pré-aquecido a 180º durante cerca de 30 min (verifique a cozedura com o palito).

(T): Dissolva o fermento num pouco de água morna. Coloque numa tigela a farinha, abra uma cavidades e adicione os restantes ingredientes, à excepção do leite. Amasse. Vá deitando o leite aos poucos e continue a amassar. Cubra com um pano e deixe levedar por 1h30. Coloque a massa no tacho, disponha em cima os ovos e polvilhe com açúcar. Leve ao forno pré-aquecido a 180º durante cerca de 30 min (verifique a cozedura com o palito).



Notas:- Ajuste a quantidade do leite à medida que amassa. A massa deve ficar pouco densa e não moldável.

21 fevereiro 2010

Como um simples bife de atum pode contar uma história

Pode não ser um peixe que se coma todos os dias mas todos conhecem o atum. Podem ainda não ter provado o espinhaço, as peles ou a barriga mas de certeza que, pelo menos, já o provaram em conserva. Mas provavelmente desconhecem que a pesca do atum foi uma das fontes de riqueza que mais contribuiu para a prosperidade económica da cidade de Tavira e da região do Algarve, dando trabalho e pão a inúmeras famílias de pescadores.

Proponho que recuemos um pouco no tempo e façamos uma curta viagem à história da pesca do atum e do Arraial Ferreira Neto.

Chamavam-lhe a tourada do mar. Um espectáculo de força e movimento, envolvido com o baloiçar dos barcos, a rudez do atum e a algazarra dos homens que dedicavam toda a sua força e agilidade a esta arte, repetindo gestos que culminavam no copejo, o momento em que o atum apanhado nas redes era arpoado.

A armação medo das cascas existia desde 1881 em Cabanas de Tavira mas viria a instalar-se definitivamente em Tavira em Abril de 1945 com o nome de Arraial Ferreira Neto.

O Arraial surge assim como uma “aldeia” de gentes do mar, de linhas rústico-portuguesas, onde habitavam entre 400 a 500 pessoas. Local de migração sazonal, entre Março e Setembro, era ali que durante a faina pescadores e famílias viviam e cuidavam nas oficinas dos materiais e apetrechos essências a esta pesca, sendo-lhes fornecido tudo o que precisavam para a vida quotidiana

Para além das habitações o Arraial Ferreira Neto compreendia ainda armazéns de recolha e restauro de material, escritórios, depósitos de viveres, padaria, escola primária, capela, posto médico e barbearia.

A armação (grande conjunto de redes que estavam verticalmente suspensas na água, da superfície ao fundo e que formavam uma barreira) era uma verdadeira obra de engenharia náutica que se montava longe da costa e envolvia cerca de 23 embarcações, quilómetros de redes e milhares de bóias e era composta por corpo da armação, guia e rabeira.

A barreira era assim formada e orientava-se em relação à linha da costa e à marcha do atum de modo a detê-lo e a encaminhá-lo para um compartimento que se situava a meio da estrutura onde viria a ser capturado.

Aos poucos o peixe ia sendo filtrado pela larga rede da rabeira até chegar à fina do copo e era aqui que o atum chegava à armadilha final e se dava o momento do copejo, a fase mais fascinante de toda a faina. A água agitava-se, as barcas de testa fechavam as portas e a rede era levantada devagar apertando o atum. Os homens armados de um gancho comprido, o bicheiro, espetavam o peixe e puxavam-no para os barcos.

Terminada a faina a companha regressava ao Arraial. No mastro da torre de vigia içavam-se as bandeiras que indicavam, em centos, as quantidades aproximadas do peixe capturado, conforme o vigia ia avistando os barcos carregados de peixe. E daqui o peixe seguia para a lota onde chegou a ser vendido a quatro escudos o quilo.

No ano de 1881 as armações do Barril e Medo das Cascas pescaram respectivamente 46.825 e 40.729 atuns, de direito e de revés.

Mas um dia o peixe fugiu da costa e as armações foram desaparecendo. Em 1972 montou-se pela última vez a armação, cessando nesse mesmo ano.
O Arraial Ferreira Neto fechou as suas portas e assim permaneceu durante anos, encerrando em si vestígios e histórias de uma arte que se perdeu no tempo e que deixou marcas na história económica e social do Algarve.


E foi apenas no ano 2000 que o Arraial Ferreira Neto ganhou nova vida. A sua estrutura deu vida ao actual Hotel Vila Galé Albacora que recuperou a sua estrutura e traça original e se integrou harmoniosamente com a sua envolvente natural, em pleno Parque Natural da Ria Formosa.

Dos armazéns recriaram-se quartos, a escola primária deu corpo a um clube de crianças, a capela foi restaurada e preparada para receber eventos e a padaria transformou-se em museu. É aqui que vai poder ver de perto uma maquete que ilustra na perfeição a grande obra de engenharia que era a armação do atum. De igual forma poderá observar documentos centenários da Companhia de Pescarias do Algarve e ainda um vídeo que retrata todo o processo de captura dos tunídeos.
Aqui nada foi deixado ao acaso e até a gastronomia se recria em pratos típicos algarvios, muitos deles tendo o atum como base.

Para quem não conhece aqui fica a sugestão para um fim-de-semana diferente, em contacto com a natureza pura e a história viva!

E como este post coincide com a reabertura do Hotel Vila Galé Albacora - Arraial Ferreira Neto, o Figo Lampo associou-se ao evento e vai ser sortear entre os comentadores deste post um fim-de-semana para duas pessoas neste hotel. O passatempo decorre até ao final do dia 23 deste mês, sendo considerados todos os comentários deixados até essa data (um comentário por pessoa).

E agora, sem mais conversas, deixo-vos uma receita que mesmo sendo muito simples, deixa-me sempre a boa lembrança da tourada do mar..


Bifes de atum de cebolada

Ingredientes (para e pessoas): 2 bifes de atum fresco, 2 cebolas, 3 dentes de alho, 2 folhas de louro, salsa, azeite e sal e pimenta preta q.b.

(T): Tempere os bifes com sal, pimenta, louro e os dentes de alho cortados em rodelas e deixe marinar durante algumas horas.
Escorra-os depois e leve-os a fritar no azeite, de ambos os lados. Retire-os para um prato e junte ao azeite a cebola em rodelas finas. Quando a cebola estiver translúcida, introduza os bifes de atum de novo deixe cozinhar mais uns minutos de um lado e do outro. Rectifique os temperos e polvilhe com salsa picada finamente. Sirva de imediato com batata cozida.



Notas:
- O vencedor do passatempo será anunciado no próximo post do Figo Lampo;

- O prémio é uma cortesia do Hotel Vila Galé Albacora;
- Foto da pesca do atum do arquivo do Hotel.

15 dezembro 2009

Empanadilhas de batata doce

Se na nossa ceia de Natal não falta o bacalhau na mesa, as empanadilhas (ou azevias mas cá são conhecidas por empanadilhas) não lhe ficam atrás. Lembro-me perfeitamente dos serões com a minha mãe a amassar, esticar massa, colocar recheio, fechar, cortar, fritar e passar por açúcar e canela.. Era uma trabalheira e tanto. A minha mãe arregaçava as mangas e amassava a massa à mão. O recheio era preparado de véspera. Em poucas horas havia pratos e travessas de empanadilhas quentinhas. Umas eram preparadas para oferecer a familiares e amigos, outras aguardavam pela hora de subirem à mesa de Natal. Era e continua a ser o petisco doce preferido de todos.

A produção tem diminuído de ano para ano porque a força de braços já não é a mesma e eu confesso que nunca me atrevi a fazê-las sozinha principalmente pelo facto de imaginar não conseguir alguma vez chegar aquele sabor das empanadilhas da mãe. Mas este ano contrariei o receio e dei corda à mfp e à Bimby que foram as minhas aliadas na primeira fornada. Sim porque com a velocidade que desapareceram e a facilidade com que foram feitas, muitas mais se vão seguir e quem sabe se com o tempo não serão elas as descendentes das empanadilhas da mãe. : D

Querem provar? Aqui fica a receita.

 
Empanadilhas de batata doce

Ingredientes da massa (para cerca de 30 unidades):
500gr de farinha de trigo, sumo de 2 laranjas, 70gr de banha derretida, 70g de manteiga derretida, 1 cálice mal cheio de aguardente, uma pitada de sal, água tépida q.b.

Ingredientes do recheio: 700gr de polme de batata doce*
, 350 g de açúcar, 50gr de água, 2 colheres de sopa rasas de canela em pó, 1 colher de sopa mal cheia de chocolate em pó, casca de limão

(mfp):
Peneire a farinha para a cuba da máquina, coloque os restantes ingredientes, seleccione o programa amassar e deixe-o seguir até ao fim (a massa deve descansar algum tempo depois de amassada).

(B): Coloque no copo limpo as gorduras e programe 3min/70º/vel 1. Junte o sumo das laranjas, a aguardente, o sal e a farinha e amasse 2min/vel espiga. Veja a consistência da massa. Se agarrar ao copo e aos dedos junte um pouco mais de farinha e amasse mais 1min. Se não estiver bem agregada junte um pouquinho de água tépida e amasse mais 1 min. Retire para um recipiente e deixe-a descansar.

Prepare entretanto o recheio: Coloque a água e o açúcar no copo e programe 10 min, temp varoma, vel 1 para fazer a calda de açúcar. Junte o polme de batata doce
*
, a casca de limão, a canela e o chocolate e programe 5 minutos temperatura 100º, velocidade colher.
Retire a casca, transfira para um recipiente e deixe arrefecer.
*
Para o polme de batata doce: Monte a varoma e disponha as batatas doces descascadas e cortadas em pedaços no tabuleiro. Coloque água no copo até meio e programe 20min, temp varoma, vel 3 (se não estiverem bem cozidas programe mais uns minutos).
Coloque as batatas cozidas no copo e reduza-as a puré 1 min na vel 8-9.

Retire pequenas porções de massa e estenda-as com o rolo da massa, com a espessura mais fina possível (tenha o cuidado de deixar a restante massa tapada para não secar). Coloque uma colher de sobremesa cheia de recheio e feche a empanadilha com a massa (como os rissóis). Calque bem os rebordos para evitar abrir durante a fritura. Recorte-a com ajuda de uma carretilha.

Frite-as em óleo quente, escorra-as sobre papel absorvente e passe-as depois por uma mistura de açúcar e canela.

 
 
A mãe ainda não as provou, vamos ver se as aprova...


Notas:
- Para fazer o dobro da receita basta duplicar as quantidades e seguir o modo de confecção;
- A massa deve ficar bem esticada e fina para ficar estaladiça na fritura;
- Pode optar por rechear também com doce de grão, chila, abóbora ou amêndoa. Cá no Algarve as mais tradicionais e habituais são as de batata doce.

Dicas:
- Se preferir em vez de as passar pelo açúcar e canela pode fazer uma calda de mel e envolvê-las;
- Podem ser congeladas antes de fritar, dispostas num tabuleiro sem as sobrepor. Assim pode fazer com antecedência e fritá-las no dia em que vão ser consumidas;
- O recheio tmbém pode ser feito com antecedência e congelado.

13 dezembro 2009

Dom Rodrigo_dia azul | blue day

Se há cor que simboliza o Algarve é sem dúvida o azul. Azul do céu limpo, das águas quentes, das molduras de portas e janelas e das platibandas do casario típico, do traje típico da mulher algarvia, dos painéis de azulejos nas igrejas, das peças de olaria típicas, dos cascos das traineiras..
Azul é também uma das cores das folhas de estanho que envolvem um dos mais conceituados doces típicos algarvios, o Dom Rodrigo.

E é a ele que cabem as honras de fechar este desafio do Dia da Cor. Pensei publicar os Dom Rodrigos no dia amarelo mas, porque é exactamente o colorido dos papéis de estanho que tanto os caracterizam, optei por deixá-los para este dia.

Um obrigado especial à Mary que, através deste desafio, me estimulou a revisitar e dar a conhecer a minha querida região em pratos típicos.
Que venha o próximo!
 

Dom Rodrigo

Ingredientes (para 6 unidades): 250gr de fios de ovos, 50gr de miolo de amêndoa ralado, 250gr de açúcar, meio dl de água, 4 gemas, canela em pó q.b.

(T): Num tacho coloque 200gr de açúcar coberto de água e leve ao lume até formar ponto de pérola.
Retire do lume e misture a amêndoa. Deixe amornar, junte as gemas e leve novamente ao lume, mexendo até engrossar. Polvilhe com um pouco de canela.
Com o restante açúcar e água faça uma calda em ponto de fio. Coloque-a numa frigideira e leve ao lume. Quando ferver, deite por cima os fios de ovos e sobre estes a mistura feita anteriormente com o açúcar, amêndoa e as gemas.
Com a ajuda de duas espátulas, enrolam-se os fios de ovos em torno do recheio, envolvendo-o completamente.
Deixe alourar e retire da frigideira.
Corte 6 quadrados de folha de estanho prateado ou colorido.
Divida o preparado em quantidades iguais pelos 6 quadrados de estanho, una as quatro pontas de cada quadrado, enrole-as e dobre ligeiramente as extremidades laterais para dentro.
 

Notas:- Receita retirada do site da Câmara Municipal de Tavira.

30 agosto 2009

Uma salada no regresso

Hoje reabro as portas da minha cozinha. As férias estão praticamente no fim a já comecei a readaptar-me à rotina diária que começa já no dia 1 de Setembro. Escolinha da filha, trabalho da mãe e trabalho do pai.. Nos últimos dias faz-se um house check, prepara-se a lista de material para levar no primeiro dia de infantário e a sacola da pequenita, arruma-se roupa e encostam-se toalhas, fatos de banho e baldinhos por perto para aproveitar os dias de sol dos fins-de-semana próximos.

Tempo ainda para uma excelente tarde passada na companhia de "cozinheiras" amigas que, motivadas pelo repto da querida Ameixa e atiçadas por bolas de gelado, conversa animada e muitas gargalhadas, mostraram que o mundo virtual pode (e deve!) muito bem ser transportado para a realidade. Que venham mais encontros blogueiros! Foi um prazer!

E como a cozinha ainda anda a 50%, a "receita" de hoje apenas necessita de um bom fio de azeite a rematar para ser servida fresquinha num dia destes de calor! Bom domingo!



Salada de ovas de bacalhau

Ingredientes: ovas de bacalhau, batatas, ovos, cebola, azeite, vinagre e sal q.b.

(T): Levam-se a cozer as batatas num tacho com água e sal. 15 minutos depois colocam-se as ovas e os ovos e deixam-se cozer por mais 10/15 minutos. Retira-se tudo para um prato com uma escumadeira. Cortam-se as batatas em cubos, as ovas e os ovos às rodelas. Colocam-se numa travessa. Pica-se a cebola e junta-se. Tempera-se com vinagre a gosto e com azeite em abundância. Envolve-se bem e serve-se na hora ou após alguns minutos no frigorífico.

Notas:
- Pode usar ovas de outro peixe;
- Este tipo de saladas são bastante apreciadas no Algarve, sendo servidas como entradas frias ou petiscos de fim de tarde!

05 julho 2009

Queijo de figo_dia castanho | brown day

E eis-nos chegados ao dia da cor castanha. Cor dos ingredientes base da doçaria algarvia, a amêndoa, o figo e a alfarroba, que reflectem muito a passagem árabe pelo território nacional. A mestria com que se produzem, a mistura de condimentos secretos, os aromas frutados e quentes, a textura rica e as formas trabalhadas viciam o estômago e a alma, apelam aos sentidos e deixam no paladar a tentação de um regresso rápido ao Algarve só para os voltar a saborear.
Para este dia escolhi o queijo de figo que, pelo peculiar sabor que os seus ingredientes lhe conferem, textura e formato, arrebata lugar de destaque no top dos doces regionais.

Bom dia castanho a todos!
 
Queijo de figo

Ingredientes: 250gr de figos secos, 250gr de amêndoas (usei com pele), 250gr de açúcar, 25gr de chocolate em pó, 5gr de canela (ou 1 colher de café), 1,5gr de erva-doce (ou 1 colher de café), 1,5 dl de água, raspa de meio limão
 
(T): Torre os figos e as amêndoas no forno. Moa-os separadamente e reserve. Leve ao lume a água, o açúcar, a canela, a raspa de limão, a erva-doce e o chocolate até formar ponto de estrada. Junte a amêndoa moída, mexendo sempre e deixando ferver durante 5 minutos. Adicione de seguida o figo moído, continuando a mexer e deixando ferver mais 5 minutos. À parte, polvilhe um tabuleiro com açúcar. Deite o preparado e deixe arrefecer. Depois de frio molde vários queijinhos ou um queijo grande.
 
(B): Torre as amêndoas e os figos no forno. Triture as amêndoas 15 seg na vel 5. Reserve. Triture os figos com uns golpes de turbo e mais 15 seg na vel 5-7. Reserve. Sem lavar o copo, coloque o açúcar, o chocolate em pó, a casca de limão, a canela e a erva-doce. Pulverize uns segundos na vel 8. Junte a água e programe 18 min, temp varoma, vel 1 (até obter em ponto de estrada). Misture as amêndoas trituradas 5 seg na vel 4, e programe 5 minutos, temp varoma, vel 1. No final misture os figos triturados 5 seg na vel 4 e programe mais 5 minutos, temp varoma, vel 2. À parte, polvilhe um tabuleiro com açúcar. Deite o preparado e deixe arrefecer. Depois de frio molde vários queijinhos ou um queijo grande.
 
Notas:
- Se achar necessário unte as mãos com um pouco de óleo para facilitar a moldagem dos queijinhos;
- Pode usar amêndoa com ou sem pele. No meu caso pessoal gosto mais com pele;
- Pode consumir de imediato ou guardar embrulhados em película aderente durante algum tempo;
- Como o queijo grande era para oferecer pincelei as amêndoas com um pouco de mel aquecido e diluido numa colher de chá de água.

31 maio 2009

Polvo guisado_dia rosa | pink day

Mais um desafio, mais uma cor, mais uma oportunidade para falar das minhas raízes.

Rosa também é cor do tipicíssimo algarvio. É tom de peixes que se servem grelhados ou em cataplanas. De docinhos de massapão manualmente trabalhados. Da flor de amendoeira. Do céu num fim de tarde quente de verão. Do atum fresco. E do polvo, que tornou famosa a vila de Santa Luzia (em Tavira) e a consagrou como a “capital do polvo”.

Santa Luzia regista
as primeiras pescarias de polvo em 1927. Hoje continuam a ser pescados, com recurso a covos, murjonas e ainda alcatruzes.

A escassez vai ditanto alguma contenção na pesca mas o polvo continua a ser rei e quem por cá passa rende-se facilmente aos inúmeros pratos de polvo, tipicamente confeccionados.
 
A minha contribuição para o dia rosa fica assim registada em "tons de polvo"!

Polvo guisado

Ingredientes: 1 polvo congelado, 2 cebolas grandes, 2 dentes de alho, 50gr de azeite, 100gr de vinho tinto, 100gr de tomate pelado em pedaços, 1 colher de chá de massa de pimentão, 1 folha de louro, 1/2 ramo de salsa, sal e pimenta q.b.

(T): Coza previamente o polvo na panela de pressão com uma cebola, Corte-o em pedaços e reserve. Pique a cebola e os alhos e refogue em lume brando até a cebola estar translúcida. Junte o tomate, a massa de pimentão, o polvo em pedaços, o louro e o ramo de salsa. Regue com o vinho e tempere com sal e pimenta preta moída a gosto. Cozinhe durante aproximadamente 15 minutos, com o tacho tapado.
Sirva acompanhado de batatinhas novas cozidas com pele.

(B): Coza previamente o polvo na panela de pressão com uma cebola. Corte-o em pedaços e reserve.
Coloque no copo a cebola e os dentes de alhos e pique 5 seg, na vel 5. Junte o azeite e refogue 5 min, 100º, vel 1. Junte o tomate, a massa de pimentão, o polvo em pedaços, o louro e o ramo de salsa. Regue com o vinho e tempere com sal e pimenta preta moída a gosto. Cozinhe por 18 min, temp varoma, vel colher inversa. A 3 minutos do final retire o copinho para apurar o molho.
Sirva acompanhado de batatinhas novas cozidas com pele.




Notas:
- Antes de cozinhar o polvo convém deixá-lo algum tempo no congelador para que fique mais macio, pois o gelo parte todos os ligamentos internos do polvo. Tambem pode logo comprá-lo
congelado, quanto mais tempo permanecer congelado mais macio e tenro ficará.

17 maio 2009

Xarém rico_dia amarelo | yellow day

Se o ditado dizia que "quem passarinhos receia, milho não semeia", atrevo-me a dizer que em terras do sul o ditado era seguido à risca, sendo o milho sustento de muitas famílias em tempos idos. Até há bem pouco tempo ainda se fazia a farinha de milho em algumas zonas do Algarve, moendo os grãos numa mó manual herdada do tempo dos romanos. Esta farinha grosseira resultante do milho mal moído era, e ainda é, usada para fazer o típico xarém (ou xerém), as papas de milho comuns a toda a bacia mediterrânica.


Há quem diga que o xarém é uma das “receitas intemporais do Algarve”.
Na sua base está um ingrediente fácil de cozinhar e de preço acessível, é certo. Mas o seu segredo são os temperos que, com o toque pessoal de cada um, o tornam numa refeição ou acompanhamento bastante apreciado.

Como algarvia de gema e grande apreciadora da sua gastronomia, para este dia amarelo trago um xárem rico, assim chamado pelo incremento de ingredientes na sua confecção, contrastando assim com o tradicional xarém pobre.

Aqui fica a receita bem amarelinha!




Xarém rico

Ingredientes: 1dl de azeite, 3 dentes de alho, 2 cubos de toucinho, 500gr de amêijoa, conquilha e berbigão, 300gr de miolo de camarão, 400gr de farinha de milho para xarém, 1 molho de coentros, sal q.b.

(T): Depois de bem lavadas em várias águas, abra 3/4 das amêijoas, as conquilhas e os berbigões num tacho com água fervente. Tire os miolos das cascas e reserve. Coe a água da cozedura e reserve também.
Num tacho de barro coloque o azeite, o alho picadinho e o toucinho e deixe refogar uns minutos até o toucinho começar a ficar translúcido. Adicione o miolo de camarão e os restantes bivalves fechados e deixe abrir. Junte a água da cozedura, tempere com sal a gosto e deixe ferver um pouco. Retire o tacho do lume e adicione a farinha em chuva e aos poucos para não encaroçar. Leve novamente ao lume e deixe cozer, mexendo de vez em quando. Junte os coentros picados, misture bem e sirva.



Notas:
- Conforme o gosto pessoal o xarém pode ficar mais ou menos liquido, sendo para isso necessário controlar a consistência à medida que se vai juntando a farinha de milho.
- Pode usar apenas um dos bivalves na sua confecção.

02 maio 2009

Caracóis como manda a tradição

O dia de hoje, 1.º de Maio, Dia do Trabalhador, celebra-se de modo diferente um pouco por todo o país. A Sul, pelo menos na zona do Sotavento, cumprem-se várias tradições ancestrais que o tempo ainda não deixou morrer. Os Maios, bonecos de pano feitos artesanalmente, são exemplo disso. Retratam cenas do dia-a-dia e são colocados à porta de casa, sendo muitas vezes acompanhados de versos dedicados à critica social e política.
Créditos fotográficos: Algarve Digital

O 1.º de Maio é comemorado também em piqueniques familiares junto de ribeiras nos montes. Come-se um pouco de tudo mas a tradição cumpre-se com os caracóis. Muitos apanham-nos em meados de Abril, deixam-nos a "limpar a tripa" dentro de uma rede com umas rodelas de batata e neste dia são muito bem limpos e lavados e depois cozinhados ao gosto de cada um. Os de cá de casa são sempre feitos pela minha mãe e para mim são os melhores.

Caracóis


Ingredientes: caracóis, paus de orégão, uma cabeça de alhos, 1 caldo de carne, água e sal q.b.


(T): Lava-se bem os caracóis e colocam-se dentro de um tacho alto com água e os paus de orégão. Leva-se a lume brando, com o tacho tapado. Aproximadamente 15 minutos depois coloca-se o sal, os dentes de alho (com pele) e o caldo de carne. Deixa-se cozinhar por cerca de 20 minutos.



Apesar de não ser comum comer caracóis em muitos locais, a verdade é que cá é um petisco e tanto e nesta altura perde-se a conta aos litros de caracóis que se vendem um pouco por todo o lado.
Bom fim-de-semana!

11 março 2009

Folar de Olhão ou Folar de folha

Por esta altura, todos os anos me recordo dos tempos em que via a minha avó amassar dezenas de folares para a Páscoa. Colocava um alguidar grande em cima de uma cadeira, ía colocando os ingredientes como a experiência da idade lhe ditava, arregaçava as mangas, punha as mão na massa e depois cobria-a com uma manta de lã forte para levedar. Entretanto untava com manteiga os tachos e tachinhos de alumínio que os iria cozer no forno. Os ovos também já estavam lavados e prontos para serem colocados nos folares. O processo final era distribuir a massa pelos tachos, afundar o ovo no centro de cada um e levar ao forno que a minha avó não tinha mas usava o da vizinha do lado, a menina Laurinda, uma doce senhora de cabelo branco e olhos azuis que ainda hoje recordo com muita saudade.

E lá ficava eu com elas na cozinha da menina Laurinda ansiosa à espera que os folares saissem do forno. Deveria ter nessa altura os meus 7/8 anos. O tachinho mais pequenino fazia os folares das netas, um para cada uma. Os outros oferecia à familia, amigos e ainda vendia alguns no mercado, na sua banca de legumes e fruta.

Há muitos anos que a minha avó deixou de os fazer. A idade levou as forças para amassar. Agora fazemos ou compramos. O ano passado fiz pela primeira vez e ofereci aos familiares na Páscoa. E este ano voltarei a fazê-lo até porque com a ajuda da mfp fica tudo mais fácil.


A primeira experiência deste ano foi com os folares de olhão ou de folha (os que mais gosto). O ano passado usei a Bimby para os amassar mas desta vez fiz a experiência na mfp. A massa ficou mais alta e bem mais fôfa. Vou colocar aqui a receita tradicional, adaptada à Bimby e à mfp. É só escolher! ; )


Folar de Olhão ou Folar de folha

Ingredientes (para dois folares grandes): 1Kg de farinha, 50gr de fermento de padeiro, sumo de 2 laranjas, 1,5dl de água, 1 colher de café de sal, 125gr de banha, 125gr de manteiga, 1 cálice de aguardente

Para as camadas: manteiga, açúcar amarelo e canela
(T): Misture a farinha com a manteiga, a banha, o sumo das laranjas, a aguardente e a água com o sal. Desfaça o fermento numa pequena porção de água morna. Faça uma cova na farinha e coloque dentro o fermento diluído na água. Retire a farinha da periferia para o centro e amasse muito bem. Deixe levedar até dobrar o volume.


(B): Coloque no copo a manteiga, a banha, o sumo das laranjas, o cálice de aguardente, o fermento e programe 1min, 37º, vel 5. Junte a água e a farinha e o sal e programa-se 20seg, na vel 6. Amasse depois 3min, na vel espiga. Deixe levedar até dobrar o volume.


(mfp): Desfaça o fermento num pouco de água morna. Coloque-o na cuba da máquina e adicione o sumo de laranja, a água, a banha, a manteiga, a aguardente e metade da farinha. Inicie o programa amassar. À medida que a mistura começa a ganhar consistência junte a restante farinha. Deixe o programa seguir até ao final (levedação incluida).



Procedimento para fazer as camadas:


Tire bocados de massa do mesmo tamanho e faça pequenas bolas. Abra-as com o rolo da massa até ficarem circulares e planas, com cerca de 10 cm de diâmetro e 0,5cm de expessura.
Unte generosamente com manteiga tachos de alumínio. Barre muito bem cada círculo com manteiga e polvilhe abundantemente com açúcar, um pouco de canela e umas nozes de manteiga. Vá sobrepondo os vários círculos uns por cima dos outros dentro do tacho (cerca de 5 camadas). Deixe levedar durante 3 horas coberto por um pano de lã ou até atingir o dobro do volume.
Polvilhe a última camada com bastante açúcar e um pouco de canela. Leve a forno pré-aquecido a 190º durante cerca de 1 hora. Desenforme-os ainda quentes, ajudando a libertá-los do tacho com a ajuda de uma faca.


Notas:- Receita base retirada daqui . Adaptação à Bimby baseada na da carlota do Fórum Bimby;
- Na preparação na mfp e uma vez que a quantidade de farinha é muita, aconselho a colocarem metade da farinha primeiro e aos poucos ir juntando a restante para ajudar a máquina a envolver bem os ingredientes;
- Como a massa não leva açúcar aconselho a colocarem bastante açúcar entre as camadas;
- A quantidade de manteiga entre camadas pode ser maior ou menor. Quanto mais mateiga mais húmido vai ficar.
- A altura de camadas não deve ultrapassar o meio do tacho uma vez que a massa vai duplicar de tamanho na levedação;
- A massa amassada na mfp fica completamente diferente da amassada na Bimby, fica bem mais fôfa e alta.

26 fevereiro 2009

Lulas recheadas

Chamem-lhes lulas cheias ou lulas recheadas, o petisco é o mesmo. As formas de confecção são várias, de acordo com os usos e costumes das gentes do Algarve. Cá em casa são lulas recheadas e fazem-se como aprendi em casa da minha mãe.
É uma receita simples e sem segredos. Apenas alguns cuidados são necessários na sua limpeza e confecção, especialmente na parte do enchimento. As lulas frescas de tamanho médio são as mais indicadas mas não havendo possibilidade as congeladas também servem. Vamos à receita?


Lulas recheadas
 
Ingredientes: 1 kg de lulas frescas, 100gr de bacon fumado, 150gr de chouriço, 2 cebolas grandes, 4 dentes de alho, 450gr de tomate pelado e picado, 2 folhas de louro, 1 ramo de salsa, vinho branco, azeite, sal e pimenta q.b.
 
(t): Amanhe cuidadosamente as lulas para não romper o saco de tinta. Retire os olhos, a boca e a pele. Reserve os tentáculos e as nadadeiras. Se conseguir, caso o saco da lula não seja muito grosso, volte-o do avesso. Reserve.
 
Pique 1 cebola e 2 dentes de alho e leve a alourar num tacho com o fundo coberto de azeite. Pique finamente o bacon, o chouriço, os tentáculos e as nadadeiras das lulas. Adicione ao refogado da cebola e do alho. Deixe cozinhar uns minutos. Junte metade do tomate picado, 1 folha de louro e o ramo de salsa atado. Tempere com o vinho, o sal e a pimenta a gosto. Tape e deixe cozinhar em lume brando durante aproximadamente 15 minutos. Retire a folha de louro e o ramo de salsa e reserve o recheio.
 

 
Na panela de pressão ou num tacho leve a refogar em azeite a outra cebola picada com os restantes dentes de alho. Junte o restante tomate e a folha de louro. Deixe refogar uns minutos enquanto enche as lulas.
Com ajuda de uma colher de chá encha as lulas até sensivelmente 3/4 da capacidade do saco. Feche-as com ajuda de um palito, atravessando as duas extremidades. Não encha demasiado para evitar que o saco rompa.
 
Coloque-as no refogado preparado, cubra com o recheio que sobrou, e deixe cozinhar durante cerca de 30/45 minutos. Se necessário acrescentar um pouco de água quente para não secar durante a cozedura.
 

Sirva com arroz branco.

03 novembro 2008

Massada de peixe e marisco

Como sabem sou algarvia de gema. "Moça marafada" como por cá se costuma dizer. Mas sou em tudo. No sotaque, no gosto pelas tradições, pelos usos e costumes e, claro está, pela gastronomia. Acho que cada região tem os seus atractivos próprios que não são mais do que os ricos legados que os antepassados foram deixando e que escrevem a história de cada recanto do nosso país. É isto que nos distingue e nos torna mais ricos.


Sou uma apologista de manter as tradições e recriá-las, de uma forma mais ou menos actual, mas sem nunca as esquecer. Ainda este sábado, dia de Todos os Santos cá em Portugal, fiz questão de comer os bombons de figo, as estrelas e os figos cheios como me lembro de o fazer há anos! E estas tradições sabem tão bem...

E como andava há uns tempos com apetites de massada de peixe, que é um prato típico do Algarve, no sábado de manhã no mercado deitei os olhos a umas chaputas e não pensei duas vezes. Vieram no saco já esfoladas e arranjadas, prontas para a bela massada.

Querem saber como fiz?



Massada de peixe e marisco

Ingredientes: 1 chaputa grande (ou outro peixe de polpa dura), 300gr de mistura de mariscos (miolo de amêijoa e mexilhão, camarão e delicias do mar), 2 1/2 chávenas de água da cozedura do peixe (aproximadamente 1 lt), 1 chávena mal cheia de massa cotovelinhos, 2 tomates maduros pelados e sem grainhas, 1/2 pimento verde, 1 cebola grande, 3 dentes de alho, 2 colheres de sopa de vinho branco, um punhado de coentros frescos, 1 folha de louro, hortelã, azeite, sal e pimenta q.b.

Cozer o peixe em água com sal. Coar a água da cozedura e reservar. Limpar o peixe de espinhas e peles e separá-lo em lascas.

Picar a cebola e os dentes de alho e levar ao lume num tacho de barro com o azeite. Quando estiverem translúcidos adicionar o tomate e o pimentos em cubos, a folha de louro e os coentros. Regar com o vinho e deixar cozinhar uns minutos. Juntar a mistura de mariscos e a água da cozedura. Temperar com sal e pimenta a gosto, tapar e cozinhar uns minutos. Juntar a massa, voltar a tapar o tacho e deixar em lume brando cerca de 20/30 minutos, até a massa ficar al dente. Rectificar temperos se necessário, adicionar o peixe e apagar o lume.

Colocar a hortelã, deixar apurar uns minutos com o tacho tapado e servir.


Posso-vos garantir que matei, e bem, as saudades!

No final faltava algo doce e como não havia sobremesa, improvisámos um gelado de natas com pedacinhos de fudge brownie e topping de chocolate (passo a publicidade nas fotos). Maravilha!


Boa semana!!

10 agosto 2008

Bifes de atum fresco com cheirinho a férias

Enquanto ainda é tempo, há que matar as saudades da comidinha portuguesa porque a partir de amanhã entramos no american way of life. É certo que vou ter saudades do peixinho fresco, do marisco, dos nossos temperos, mas também sei que vou-me lambusar com o que de melhor NY tem!

Este será o último post antes das férias (se conseguir dou noticias entretanto) e como me queria despedir em grande deixo-vos o meu almoço de ontem com votos de um excelente Verão para todos!

Ingredientes (para 2 pessoas): 2 bifes de atum 1 cebola média 1 tomate maduro grande 1/2 pimento verde (se for dos grandes basta 1/4) 1 chávena de café de vinho branco 2 paus de óregão 1 folha de louro pimenta preta em grão, sal e azeite q.b.

(T): Tempere os bifes com sal e ervas meia hora antes de os cozinhar. Numa frigideira ou caçarola grande coloque o azeite até cobrir o fundo com 1/2 dedo de altura. Corte a cebola em meias luas, o tomate (já limpo de peles e sementes) e o pimento e deite sobre o azeite. Junte a folha de louro, os grãos de pimenta e os paus de óregãos e deixe refogar uns minutos até alourar. Disponha por cima os bifes de atum, regue com o vinho e deixe cozinhar com a frigideira tapada durante 10 minutos. No final dos 10 minutos vire os bifes e cozinhe por mais 10 minutos. Prontinho!

Costumo acompanhar com batatas em rodelas grossas cozidas em água e sal e paus de óregão.

Agora sim, bom apetite que eu vou de férias!!

06 agosto 2008

Presunto do mar

Ontem fui jantar com uns amigos a uma marisqueira cá do sítio que frequento regularmente. O prato é sempre o mesmo: mariscada. Mas ontem como havia barriga de atum, coisa que já não comia há imenso tempo, pedi sem hesitar. Grelhadinha e acompanhada de batatinha cozida e salada. E que saudades que tinha de uma barriga de atum grelhada e a transpirar a sua própria gordura! É realmente fantástico e aconselho vivamente ainda que nem sempre seja fácil encontrá-la à venda. Não sei se sabem mas por cá o atum é rei. Em tempo tivémos grandes armações da pesca de atum. Nessa altura abundava e era o sustento de familias que se dedicavam a esta arte. Em Tavira ainda se podem encontrar vestígios da pesca do atum no Hotel Vila Galé Albacora, que era por si só uma comunidade piscatória onde viviam pescadores e suas familias e que depois de votada ao abandono, após a queda desta arte, foi transformada em hotel. Na Praia do Barril, o cemitério de âncoras também é testemunho da pesca do atum.

Hoje encontramo-lo nas bancadas das praças e mercados e em casas de venda exclusiva de produtos tunídeos bastante apreciados por cá em refeições e petiscos.
A muxama é um dos petiscos favoritos. E é a este naco de atum seco que na gíria popular chamamos de presunto do mar. A muxama são pedaços de atum, normalmente sob a forma rectangular, cortados do interior do peixe, junto à espinha que posteriormente são salgados e secos ao natural.

Come-se preferencialmente cortado em fatias muito fininhas e é um excelente petisco por si só ou com queijo fresco ou ainda com azeite, alhos e salsa! Deixo-vos a foto.

02 agosto 2008

Amêijoas na caçarola

Bem que o título podia ser amêijoas na cataplana, à boa maneira algarvia. Mas, como quem não tem cão caça com gato, usei uma caçarola. E perguntam vocês como é que uma algarvia de gema que ainda por cima gosta de cozinhar não tem uma cataplana? Eu explico, ofereci a minha a uma amiga de longe e ainda não fui comprar outra.. Mas garanto-vos que ficou excelente!

Desde que comecei a colocar as receitas no blog tenho-me deparado com o problema das quantidades dos ingredientes.. É que faço tudo tão a olho que depois é um drama ter que me lembrar das gramas, decilitros e afins! A cabeça aos inta também já não é o que era... mas aqui fica:

Ingredientes (para 3 pessoas): 2 colheres de sopa de chouriço + 2 colheres de sopa de bacon bem picadinhos 1 lombinho de porco 12 camarões 500gr de amêijoas frescas 1 colher sopa polpa de tomate 1 cebola média 1 colher chá de massa de pimentão 1 folha grande de louro 1 chávena de café de vinho branco + 1 de brandy sal, pimenta, azeite e coentros frescos q.b.

(T): Cortar o lombinho em pequenos cubos e temperar, com pelo menos meia hora de antecedência, com a massa de pimentão, sal e pimenta.
Fundear de azeite uma caçarola, dispor a cebola cortada em meias luas finas e deixar alourar um pouco. Juntar o bacon e o chouriço e deixar cozinhar uns 2/3 minutos. Juntar a polpa de tomate, o louro e a carne. Cozinhar durante cerca de 10 minutos com a caçarola tapada. Refrescar com o vinho, mexer bem e tapar de novo e deixar por mais 5 minutos. Rectificar os temperos caso necessário e juntar as amêijoas e os camarões, regar com o brandy e cozinhar durante 12/15 minutos até as amêijoas abrirem e os camarões ficarem cozidos. Ir envolvendo bem de vez em quando para a cozedura ser uniforme. Na hora de servir polvilhar com coentros frescos picados grosseiramente.

25 julho 2008

Adivinhem quem veio jantar? A amêijoa da Ria!



E como eu gosto de ter convidados destes pra jantar!! Sou doida por tudo quanto é marisco. Por todos mesmo! Não sei se será porque sou signo de água.. Ou porque vivo à beira mar.. ou.. sei lá, não interessa nada. Gosto e pronto! Mas sabem o que gosto mesmo?? Apanhá-los. Na areia, no lodo (desculpem mas eu adoro), nas pedras.. Ahh, isso sim. Desde criança que acompanhava muitas vezes o meu pai nestas andanças. Ele até já teve um arrasto para apanhar conquilha mas deixou-se disso porque o que ele gosta mesmo é de apanhar o marisco com as mãos e com os pés. Por exemplo para os búzios a técnica é andar com a água pela cintura ou mais acima e com os pés remexer a areia até sentir os bicos e depois trazê-los para cima. Claro que quando chega a casa, os pés são um mar de cortes mas isso não interessa nada. Esta semana foi apanhar amêijoas para o aniversário da fihota. Ainda sabiam a mar quando as comemos abertas em azeite e alhos. Mas ontem lembrei-me de fazer um petisco que já andava com saudades de comer, Arroz de amêijoas!

Ingredientes (3/4 pessoas): 1 cebola generosa 3 dentes de alho 40gr de azeite 600gr de amêijoas da Ria 280gr de arroz 780gr de água sal e coentros frescos q.b.

Coloque as amêijoas de molho em água salgada (ou água com sal) durante cerca de 1hora para largarem a areia. Lave-as depois em água corrente e reserve. Coloque um tacho ao fogo com água suficiente para cobrir as amêijoas. Quando a água estiver a ferver coloque-as dentro do tacho e aguarde alguns minutos até abrirem todas. Apague o fogo e reserve. Coe a água por um pano de forma a livrá-la de quaisquer grãos de areia. Tire os miolos das amêijoas para um pequeno recipiente e reserve.

(B): Coloque a cebola em quartos e os dentes de alho no copo da Bimby e pique 8 seg, vel 5. Junte o azeite e deixe refogar 3 min, temp varoma, vel 1. Junte o arroz e cozinhe por 2 min, 100º, vel colher inversa. Adicione o sal e a água da cozedura (quente) pelo bocal e, caso seja necessário, junte mais água até prefazer as 780gr. Deixe cozinhar durante 15 min, 100º, vel colher inversa. A 5 minutos do fim juntar pelo bocal as amêijoas. Juntar os coentros frescos picados, envolver ligeiramente com a ajuda de uma espátula e servir polvilhado com mais coentros.

(T): Pique a cebola e o alho e faça um refogado em azeite em lume brando. Junte o arroz e deixe fritar por 2 minutos. Junte a água da cozedura (quente) e, caso seja necessário, junte mais água até prefazer as 780gr. Deixe cozinhar durante cerca de 12/15 minutos com o tacho meio tapado até o arroz abrir. A meio da cozedura junte as amêijoas. Por fim junte os coentros frescos picados e envolva ligeiramente. Sirva polvilhado com mais coentros.