30 Dezembro 2011

Ostras gratinadas a encerrar 2011

O arquivo da barra lateral esquerda do blogue diz-me que publiquei 34 receitas durante o ano de 2011, 79 em 2010, 110 em 2009 e 114 em 2008. É inevitável não sentir alguma tristeza pelo pouco tempo que este ano dediquei a este projecto. Por tão pouco tempo ter tido para cozinhar, fotografar e escrever. Sinto também alguma tristeza por tão pouco ter tido tempo para seguir mais de perto blogues que tanto gosto, por tão pouco tempo ter dedicado à leitura, por ter abandonado algumas coisas que me preenchiam o tempo livre, o meu tempo.

2011 trouxe-me uma segunda vida e a ela dediquei (praticamente) todo o meu tempo. Aprendi, aliás, a multiplicá-lo e a dividi-lo com quem tanto de mim precisa. 2011 ensinou-me a parar o relógio do tempo dedicado a estes dois seres e a tirar o maior partido do tempo que a vida nos permite estar com eles.

2011 não termina, para mim, da melhor forma. Já ouvi o meu interior gritar de raiva, já senti tristeza e revolta. Hoje é o penúltimo dia do ano e sei que não queria que terminasse assim. 2012 não vai começar melhor mas, 2011 ensinou-me (ainda mais) a perseverança, a calma e a confiança. E eu acredito em mim, em quem sou e no que sou capaz.

A minha mensagem para 2012 é exactamente esta, acreditem em vós, fintem os momentos menos bons e lancem-se na concretização dos vossos projectos, dos vossos sonhos, da vossa vida.

A todos os que por aqui passam desejo um novo ano cheio de vida!


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Ostras gratinadas com champanhe

Ingredientes: 12 ostras frescas (da Ria Formosa de preferência), 1 cebola média, 1 dente de alho, 2 colheres de sopa de manteiga, 1,5dl de champanhe, 1 dl de natas, 2 gemas de ovo, 1 colher sopa de sumo de limão, sal, pimenta preta moída na hora, queijo gruyère ralado e cebolinho fresco q.b.

(T): Lave e escove bem as ostras. Coloque-as numa chapa quente sobre o fogão e deixe que abram. Retire cuidadosamente a concha de cima e escorra os líquidos que libertaram para um recipiente. Solte o miolo das ostras com a ponta de uma faca, mantenha-os dentro das conchas e coloque-as num refractário.
Pique a cebola e o alho bem fininhos e aloure na manteiga. Junte o líquido que as ostras libertaram e o champanhe. Deixe reduzir. Junte as natas, as gemas de ovo desfeitas e o limão. Tempere com sal e pimenta e vá mexendo até o molho engrossar. Preencha as conchas das ostras com o molho, polvilhe com queijo ralado e o cebolinho picado e leve ao forno pré-aquecido e com o grill ligado para gratinar.

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Notas:
- Receita adaptada desta do Petiscos;
- Não encha as conchas demasiado, coloque a quantidade suficiente de molho apenas para cobrir o miolo.

20 Dezembro 2011

Macarons de especiarias com recheio de chocolate, canela e rum

Saimos de casa quase a correr. Com malas, sacos, carrinho, brinquedos, roupa q.b. e casacos e tudo quanto uma viagem a quatro para o outro lado do Atlântico obriga. Chegámos cansados, os pequenos com os sonos trocados mas nem o frio nos tirou a felicidade de voltar a pisar solo americano e abraçar de novo a familia.
Será um Natal diferente, rico em afectos, saudoso pela familia que ficou do outro lado mas, sem dúvida, muito feliz!

A todos quanto passam por este cantinho, deixo os meus votos de um Natal muito feliz!

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Macarons de especiarias com recheio de chocolate, canela e rum

Ingredientes: 205g de açúcar em pó, 125 g de amêndoas em pó, 3 claras (90g) à temperatura ambiente, 30g de açúcar branco, 1 colher de chá de mistura de especiarias para pain d'épices*

Ingredientes para o recheio: 100g de chocolate negro com 70% cacau, 90 ml de natas, 1/2 colher café de canela, 1 colher de café de rum escuro

(T): Prepare antecipadamente um tabuleiro de forno com papel vegetal ou tapete de silicone e uma manga de pasteleiro com uma boquilha redonda de aproximadamente 1,5cm.
Pese e peneire o açúcar em pó junto com a amêndoa. Reserve.Bata as claras em espuma e junte o açúcar sem deixar de bater até obter um merengue firme. Peneire, novamente, a mistura do açúcar em pó e da amêndoa sobre as claras montadas. Envolva com uma espátula de silicone em movimentos circulares, sempre debaixo para cima, suavemente de forma a que o merengue não perca demasiado ar.Aponte a boquilha da manga (perpendicularmente) no centro de cada círculo e pressione até encher o círculo. Levante e preencha os restantes círculos.
Se necessário imprima um molde de macarons e coloque-o debaixo do papel vegetal. Se o fizer retire-o cuidadosamente antes de levar o tabuleiro ao forno. Deixe repousar a temperatura ambiente durante aproximadamente uma hora. Este passo vai permitir que a superfície seque e que se forme a crosta característica dos macarons. Pré-aqueça o forno a 150 graus.
Coloque o tabuleiro a meio do forno e deixe assar por 15 minutos. Baixe a temperatura para 140 graus e deixe assar por mais 3/4 minutos. Os macarons devem apresentar uma textura crocante por forma e esponjosa por dentro. Retire do forno e deixe arrefecer.
Prepare entretanto o recheio derretendo o chocolate em banho-maria. Junte depois as natas e aromatize com a canela e o rum.
Coloque o recheio numa manga de pasteleiro e recheie os macarons apontando a boquilha no centro e preenchendo 3/4 da superfície do macaron.

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Notas:
- Esta foi a segunda experiência com macarons. A primeira foi desastrosa. O merengue ficou bom as creio que não acertei com a temperatura do forno. Desta vez, fiz duas experiencias com dois tabuleiros e os tempos de cozedura que resultaram melhor foram os acima descritos. Acho que ainda não estão perfeitos em termos de textura mas estão quase quase lá. Novas experiencias virãoBaseei-me em várias receitas e técnicas de blogues como o Brave Tart, Pure Gourmandise, La Recetta de la Felicidad e na receita do David Lebovitz.

Nota 2: Este texto pode ter algumas falhas de acentuação devido ao uso de um teclado americano, aceitem as minhas desculpas desde já por algum erro que o texto possa conter.

08 Dezembro 2011

Tablete de chocolate negro com frutos apimentados

Os ponteiros do relógio de pé alto ao fundo da sala batiam as 19h00. O silêncio acentuava o ambiente vazio, apenas quebrado pelos resquícios de luz do dia que trespassavam a cortina de seda, macilenta do tempo.

As cadeiras estavam cuidadosamente alinhadas, duas a duas, em torno da mesa de madeira escura, decorada com um paninho creme, debruado com um picô de croché amarelo-torrado, semelhante a tantos outros que ia fazendo para as netas.

Mesmo atrás, o louceiro baixo de portas de vidro exibia chávenas e pires de vidro e de louça, copos, pratinhos de flores, recordações de França, trazidas pelos primos, e uma pequena boneca de porcelana cor-de-rosa, outras vezes azul, conforme fizesse chuva ou sol. Era sempre por ela que previam o tempo.
A porta de Madeira do louceiro mantinha-se entreaberta, tal como sempre a vi. Deixava ver as folhas de papel de prata e de seda coloridas que, por altura dos Santos, embrulhavam os bombons de figo e os figos cheios, feitos de amêndoa, chocolate e canela. E também a balança antiga, o bloco de notas onde apontava quantidades de uma forma que só ela entendia, já que não sabia ler nem escrever, e outras traquitanas que guardava religiosamente.

Ao canto, no bengaleiro de madeira, um guarda-chuva preto enferrujado evocava um Inverno longínquo. O espelho corroído projectava a imagem das paredes nuas e brancas de cal. De duas delas. À parede contígua encostava-se o sofá, de tecido rugoso, castanho e preto. E mesmo à sua frente, no chão de tijoleira, corria a passadeira de plástico que tantos acompanhou da porta de entrada à cozinha.
Era aí que tudo começava. Pousava o saco de empreita em cima da tosca cadeira de atabúa, colocava o avental e arregaçava as mangas. O relógio de pé alto ao fundo da sala ditava o ritmo da lida. Sempre apressado. As aranhas vinham amanhadas da praça, passavam de esguelha por água corrente e mergulhavam no velho tacho de esmalte, junto com as batatas e as cenouras. Para a mesa da sala ia a toalha de sempre, pratos, fundos para não entornar o caldo, garfos, copos, guardanapos de pano de quadrados azuis e brancos, a garrafa do azeite, o limão e a cesta do pão caseiro.

Comíamos e conversávamos. Daquelas conversas de avós e netos. E ríamos. E depois, ai depois.. Vinha para a mesa uma pequena tablete de chocolate de leite ou negro, simples, do mais barato que os tempos não eram dados a luxos. E vinha também um saquinho de amêndoas torradas.

O ritual repetia-se, dividia-o em quadradinhos que levávamos à boca com um miolo de amêndoa. Trincava-os juntos. E saboreava. E que bem que me sabia aquele momento ao fim do dia. Sentada àquela mesa de madeira escura. Pouco depois dos ponteiros do relógio de pé alto ao fundo da sala terem batido as 20h00.

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Tablete de chocolate negro com frutos apimentados

Ingredientes (para uma tablete como a da foto): 150g de chocolate com 70% cacau, 2 colheres de sopa de amêndoas, 2 colheres de sopa de avelãs, 1 colher de chá de azeite, 1/4 colher de café de flor de sal, 1/4 colher de café de pimenta da Jamaica moída, 1 colher de sopa de arandos vermelhos, 1 colher de chá de flor de sal com pólen de abelhas

(T): Pré-aqueça o forno a 180º. Forre um tabuleiro com papel vegetal. Coloque as amêndoas e as avelãs no tabuleiro, junte o azeite, o sal e a pimenta e agite o tabuleiro de modo a que os frutos fiquem bem envolvidos na mistura. Leve ao forno por 10/15 minutos. Retire do forno e deixe arrefecer.
Unte ligeiramente uma folha de papel vegetal com óleo. Derreta o chocolate em banho-maria. Deite-o sobre a folha de papel vegetal formando uma tablete quadrada com uma espessura de aproximadamente 5mm. Espalhe os frutos secos e os arandos por cima. Salpique com a flor de sal com pólen de abelhas. Decore com chocolate derretido em fio ou deixe simples. Deixe solidificar.

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Esta estória é baseada nos finais de tarde passados em casa da minha avó em que havia chocolate com amendoas para sobremesa. Juntamente com a receita participo no desafio Chocolate e Picante: Um desafio de receitas com histórias dentro, lançado pela Suzana, do gourmets amadores, em colaboração com a editora Casa das Letras.

Agradeço à Casa do Sal da Figueira da Foz a oferta da flor de sal com pólen de abelhas bem como de outros produtos à base de sal produzido nas suas salinas.


Dica:
- Estas tabletes de chocolate e frutos são uma sugestão para presente de Natal. Pode variar a guarnição do chocolate com outros frutos secos e/ou cristalizados e especiarias a gosto.