
Há uns bons anos atrás vi este pão à venda na Holanda. Achei curiosa a aparência que a mim me lembrou as manchas de uma girafa (não estava muito longe, pelo menos tinha nome de animal). Nessa altura a culinária ainda pouco me dizia e nem o nome do pão fixei. Nunca mais vi este pão.
Na semana passada enquanto folheava a blue cooking de Janeiro/Fevereiro deparei-me com os ditos. Exactamente como os que tinha visto, pelo menos de aparência. Nem pensei duas vezes e fui à net fazer uma pequena pesquisa antes de pôr a mão na massa. Em português poucas definições encontrei, a não ser que é um "pão de massa consistente de farinha de trigo, característico pelo seu miolo branco e pelas fendas na côdea". Não encontrei receitas. Procurei como tiger bread e ai já me surgiram mais resultados, através dos quais fiquei a saber que o nome vem exactamente da aparência listrada da sua crosta, feita à base de farinha de arroz, água, sal, açúcar, óleo e levedura, que durante a cozedura racha e se assemelha às manchas de um tigre.
Decidi então seguir a receita da blue cooking. Tudo bem até ao ponto da preparação da cobertura. Achei muito pouco líquido para tanta quantidade de ingredientes secos. E claro que na mistura obtive uma farinha de arroz com uns borrifos de água e óleo. Não sabia muito bem o que fazer porque não conhecia a receita mas tinha como certo que deveria ser mais líquida. Fui de novo à net e nada. Já tinha os pães moldados. Resolvi colocar meio copo de água em vez da 1/2 colher de chá. Funcionou e bem!
Agora mesmo antes de colocar aqui a receita fiz nova busca mas desta vez como "Dutch Crunch Bread", designação que vi num dos resultados da pesquisa em inglês. Voilá! Encontrei este blogue que comprovou a minha alteração. E vendo bem a receita, parece-me que a da revista saiu de lá. Não fossem eles terem errado a quantidade de água e nem se dava por isso.....
Pão TigreIngredientes para o pão: 1 saqueta de fermento seco, 1 1/2 colher chá de sal, 1/4 chávena de água quente, 1 chávena de leite quente, 1 colher sopa de açúcar, 2 colheres chá de óleo vegetal, 2 1/2 e 3 1/2 chávenas de farinha de trigo tipo 65 (só usei 5 chávenas, dispensei as meias porque era muita farinha)
Ingredientes para a cobertura: 1 colher sopa de fermento seco, 1 colher sopa de açúcar, 1/2 chávena de água quente, 1 colher sopa de óleo vegetal, 1/4 colher sal de chá, 3/4 chávena de farinha de arroz
(T): Junte num recipiente de batedeira eléctrica a levedura, a água, o leite e o açúcar (ingredientes para o pão). Misture bem para dissolver a levedura e deixe descansar por 15 minutos. A essa mistura adicione o óleo vegetal, o sal e duas chávenas de farinha. Misture bem a uma velocidade média até atingir uma massa uniforme. Adicione a restante farinha aos poucos, até a massa descolar dos lados da taça.
(B): No copo da Bimby coloque a levedura, a água, o leite e o açúcar (ingredientes para o pão) e misture 15 seg, vel 5. Deixe descansar por 15 minutos. A essa mistura adicione o óleo vegetal, o sal e duas chávenas de farinha. Envolva durante 15 seg, vel 4. Ligue a máquina na vel 4 e vá deitando a restante farinha pelo bocal aos poucos. Páre a máquina e programe 4,30 min, vel espiga.
Deite a massa numa superfície previamente polvilhada de farinha. Amasse por cerca de 5 minutos até estar macia e elástica. Tape-a numa tigela e deixe levedar por cerca de uma hora ou até dobrar de tamanho.
Quando a massa estiver levedada, retire-a do recipiente e divida-a em sete porções iguais. Dê-lhes a forma de bolinhas e ponha-as num tabuleiro de ir ao forno forrado de papel vegetal. Deixe-os ao ar durante 15 minutos.
Para a cobertura junte todos os ingredientes num recipiente próprio para a batedeira eléctrica e bata tudo muito bem. Na Bimby programe 30 seg, vel 4. Deixe repousar por 15 minutos e deite-os sobre as bolinhas de pão, tentando cobrir todo o topo e os lados do pão. Deixe repousar por mais 20 minutos e leve ao forno a 190º por cerca de 30 minutos ou até estar bem castanho no topo.
Fica um pão denso e muito fôfo, com uma cobertura bastante estaladiça e com um sabor muito característico. Nem muito doce nem muito salgado. Quentinhos ou torrados ficam óptimos! Experimentem!
Notas:
- A massa leveda bastante bem. Coloquei-a perto da lareira e em meia hora tinha duplicado o volume.
- Usei um copo pequeno em vez de uma chávena. Sugiro que sigam a receita usando um copo medidor que habitualmente usem nas vossas receitas, é bem mais fácil.